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Esse artigo sobre a Freguesia do Livro foi escrito por Luisa Bonín e publicado no recém-lançado site Nossa Causa, feito por gente jovem e que compartilha conteúdo social e atitudes transformadoras para incentivar a todos a fazer parte de mudanças por um mundo melhor. Poucas vezes vimos a Freguesia retratada de maneira tão esclarecedora e por isso agradecemos.

Freguesia do Livro – E se o mundo fosse uma imensa biblioteca?

Que livro você está lendo? Você compra livros? Ou empresta de amigos e conhecidos para ler? Quando foi a última vez que você foi a uma biblioteca? Há quanto tempo seus livros estão parados na prateleira de casa? Já pensou que a sua resposta, somadas as respostas das pessoas que estão à sua volta, mais as respostas dos seus empregadores e representantes políticos, podem influenciar a vida que você leva?

Estou lendo “Tipos de Perturbação”, de Lydia Davis (um livro de contos curtos que estou, infelizmente, lendo muito mais devagar do que gostaria). Compro livros em livrarias (bem mais do que consigo, efetivamente, ler), também empresto de e para amigos – a última vez que fui a biblioteca foi para tirar Xerox. Tenho um número significativo de livros parados em minha estante e tenho pensado bastante em como essas respostas influenciam minha vida desde que terminei a graduação – quando meu tempo me permitiu ler mais daquilo que gosto. Isso tudo me fez querer falar sobre o trabalho lindo que a Angela Duarte, a Josiane (Jô) Bibas e a Maria Luiza Mayr têm feito através da Freguesia do Livro desde 2011.

O que é o projeto

A Freguesia do Livro nasceu de forma totalmente voluntária em Curitiba-PR. Quando a Angela e a Jô deixaram a fonoaudiologia, queriam fazer algo com os livros que elas tinham usado como mães e na vida terapêutica, fazendo com que levassem a outras pessoas o mesmo impacto positivo que eles tinham provocado em suas vidas. Nesse momento, juntou-se a elas a Maria Luiza, e então começaram montando uma biblioteca infantil em um projeto social na Vila Zumbi dos Palmares, um bairro de Colombo, município da Grande Curitiba.

Para alimentar a biblioteca, pediam livros para amigos e conhecidos. Com isso, começaram a receber uma quantidade muito maior de livros do que a biblioteca na Vila Zumbi comportava. Foi então que nasceu a Freguesia do Livro como ela é hoje: na casa de Maria Luiza está o que chamam de bunker dos livros, onde elas reúnem todos os livros que recebem, reformam, separam, carimbam e fazem com que ganhem o mundo mais uma vez. São três os possíveis destinos: manutenção de bibliotecas comunitárias ou de universidades, grandes feiras de doações de livros, e finalmente, o destino que mais me fascina: os pontos de leitura.

Para fazer os livros circularem e chegarem ao maior número de pessoas possível, a Angela, a Jô e a Maria Luiza começaram a colocá-los em caixas de madeira recicladas e decoradas, e levá-los a lugares onde o fluxo de pessoas é grande: cafés, supermercados, associações de moradores, hospitais, hotéis, pousadas, ONGs, igrejas, frutarias, escolas rurais, escolas de yoga, restaurantes, associações de catadores de materiais recicláveis, fábricas, salões de beleza, escolas de idiomas, etc. As possibilidades são infinitas. Em Curitiba, basta se cadastrar no blog da Freguesia para receber uma caixa. A premissa do projeto é o empréstimo livre e a colaboração: pode pegar qualquer livro, não há cadastro nem controle, o único desejo das três fundadoras é que os livros sejam realmente lidos, e que as caixas continuem vivas e alimentadas. Em cada ponto de leitura, é incentivada também a doação de livros, para que cada caixa seja autossustentável.

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1 – Angela Duarte, Jô Bibas e Maria Luiza Mayr no bunker dos livros | 2 – Caixa reciclada e decorada pela Freguesia do Livro, pronta para chegar em mais um ponto de leitura | 3 – Macunaíma, de Mário de Andrade, reformado e carimbado para ganhar o mundo mais uma vez

O livro, por si só, é suficiente?

O trabalho operacional para manter as caixas vivas e para levá-las a mais lugares é grande, a separação e reforma de cada livro é minuciosa, e poderia parecer que o maior desafio do projeto é logístico. Não é. Formar leitores é a tarefa mais difícil, requer amor, paciência e insistência.

“Antes a gente achava que deixar aquela caixa linda de livros em algum lugar era mais do que suficiente para que as pessoas lessem. E não é – a gente tem que criar agentes de leitura”, conta Jô Bibas.

Para fazer com que as pessoas adquiram o hábito da leitura, é preciso fazer com que, em cada um dos pontos, tenha alguém disposto a inspirar outra pessoa a pegar um livro e ler. Agora que a logística do projeto se automatizou nas mãos das três empreendedoras, mobilizar pessoas para incentivar a leitura tem sido a mais nova preocupação do projeto, juntamente com a formalização da iniciativa como ONG, pois o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) irá abrir oportunidades para firmar mais parcerias e até mesmo conseguir recursos para que o projeto possa ser sustentável e gerar mais impacto.

Ao lançarem o blog para o cadastramento de pontos de leitura, o primeiro pedido de livros que receberam foi da cidade de Xapuri, no Acre. Frente à impossibilidade de atendê-los, mas ao mesmo tempo, com um projeto potente em mãos, criaram um manual para que qualquer pessoa possa montar uma Freguesia do Livro em sua cidade.

“É uma ideia tão simples, que a gente quer mais que as pessoas copiem”, completa Angela.

Graças a isso, os pontos de leitura chegaram a Ponta Grossa, Chopinzinho e Foz do Iguaçu, no Paraná; e nas cidades de Florianópolis e Rio de Janeiro; que somados aos já existentes da Grande Curitiba e litoral paranaense, chegam a mais de 90 unidades.

Um dos mais conhecidos e ativos pontos do leitura em Curitiba fica na Frutaria São Francisco, no bairro Ahú. Nenê e Fátima, donos da frutaria, colocaram a caixa de livros no meio das caixas de frutas, e, como bons amantes dos livros, se tornaram grandes agentes de leitura. Hoje as frases mais comuns na frutaria São Francisco, além do quilo do tomate e da doçura da laranja, são: “Tá levando banana, aproveita e vê se não tem um livro bacana aí que você vai gostar”, “Quando você voltar, vê se não tem um livro que você possa trazer”, “Pode levar, não precisa de cadastro”, conta Nenê. A iniciativa na frutaria fez tanto sucesso que hoje eles recebem muitas doações, o que faz com que eles se abasteçam sozinhos e ainda consigam abastecer outros pontos.

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A transformação pela leitura

Formar leitores e dar a eles acesso livre a bons livros, e especificamente aos de ficção, está intrinsecamente ligado a nossa capacidade de enxergar os outros e os atribuir corretamente crenças, ideias, intenções, afetos e sentimentos. É o que diz a pesquisa publicada recentemente pela Revista Science Reading Literary Fiction Improves Theory of Mind  (Ler ficção literária melhora a teoria da mente), de David C. Kidd e Emanuele Castano, citada no artigo “Qual romance você está lendo?” de Contardo Calligaris, na Folha de São Paulo. Ou seja, foi comprovado cientificamente que a leitura é o mais fácil e democrático exercício de empatia e compaixão, fazendo nos colocar no lugar do outro de forma atraente e simples.

O escritor britânico Neil Gaiman no brilhante artigo publicado a pouco pelo Guardian Why our future depends on libraries, reading and daydreaming (Por que o nosso  futuro depende de bibliotecas, da leitura e da imaginação” cita, além da empatia, diversos benefícios que a leitura de ficção provoca, mas vou citar dois deles, que me chamaram muita atenção:

  • Ao fazer com que pessoas comecem a ler um livro e não parem, querendo saber o que acontecerá na outra página, a literatura força as pessoas a aprenderem novas palavras, novas formas de pensar, e com isso descobrir o prazer da leitura. Esse prazer, uma vez descoberto, leva as pessoas a lerem tudo. Vivemos num mundo de palavras, a internet é essencialmente feita por palavras, precisamos compreender o que lemos, e nos entender, para que possamos nos expressar melhor e assim trocar ideias.
  • A ficção exercita nossa imaginação. Nós somos moldados a pensar que o que está a nossa volta é estático, que a nossa sociedade é fechada e não incita mudanças. Mas a verdade é que ao longo de toda a história, as pessoas que mudam o mundo, fazem isso ao imaginar como as coisas podem ser diferentes. Tudo o que está a nossa volta: a cadeira em que estamos sentados, o programa de televisão que assistimos, e até o sistema de transporte de uma cidade foi um dia imaginado por alguém. A leitura faz com que a nossa imaginação vá a lugares nunca antes visitados, e nos ajuda a projetar uma nova e melhor forma de viver.

Potencializar e acelerar a transformação pela leitura é simples, e a Freguesia do Livro está disposta a facilitar a jornada de todos que querem transformar o mundo num lugar habitado por leitores.

Por isso, se assim como eu, você se identificou com o projeto, comece por olhar a estante e ver que livros pode doar e/ou emprestar, e mais do que isso, torne-se um agente de leitura, ajudando a multiplicar os pontos de leitura na sua cidade. A Freguesia do Livro ainda não está em sua cidade? Leve-a.

Você pode ver o artigo na íntegra no site Nossa Causa, aqui.

Sobre Luísa Bonin

Formada em Relações Públicas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR, e em Planejamento Estratégico de Comunicação pela Lemon Escola de Publicidade de Curitiba. Também é atriz profissional desde 2008, e atualmente é Diretora de Comunicação da Aliança Empreendedora e coordenadora do Portal Impulso de Crowdfunding.
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Feira do Livro Senai CIC

Ontem a Freguesia do Livro participou da Feira do Livro Senai CIC, evento voltado para os alunos do colégio do Sesi de ensino médio, e para os alunos dos cursos técnicos do Senai. A proposta era apresentar a Freguesia para os alunos, doar livros, incentivá-los à leitura, e também a troca de livros e doação. Conversamos com eles sobre bibliotecas e livros livres. Essa foi a primeira vez que a Freguesia do Livro participou de uma feira literária e o resultado foi muito bacana. O quiosque da Freguesia ficou repentinamente movimentado assim que os alunos foram liberados para o intervalo. Os marcadores de páginas confeccionados pelas colaboradoras da Freguesia e que integram o projeto Recicla Cultura fizeram sucesso, e foram vendidos por R$1,00 cada, valor que será revertido para novos projetos da Freguesia.

Banner da Freguesia do Livro

Jô Bibas, Juliano Rocha e Ângela Duarte preparando o quiosque da Freguesia

Alunos do Sesi e do Senai escolhendo livros da Freguesia do Livro

Os alunos ficaram bastante entusiasmados com a possibilidade de escolher um livro e levar para casa sem precisar pagar nada, e aproveitaram para conversar sobre literatura e suas leituras preferidas. O mais bacana foi perceber que as pessoas adoram o empréstimo livre e a livre circulação de livros sem precisar de carteirinha ou apresentação de documentos, sem burocracia.  Eles pediram para que a gente volte ao Senai, mas pediram para avisarmos antes, para que eles também possam levar livros para trocar e doar. Não é o máximo?!

A caixa de livros da Freguesia prontinha para os alunos do Sesi e do Senai

Ecocidadão Acampa CIC

Visitamos dois barracões de reciclagem com a Freguesia do Livro localizados também na Cidade Industrial de Curitiba, para levar os livros arrecadados e doá-los para os funcionários e catadores de material reciclável que trabalham nos barracões. O primeiro barracão de materiais reciclados visitado foi o Acampa – Associação de Catadores de Materiais Recicláveis Parceiros do Meio Ambiente.

Acampa

Silvana, catadora de materiais recicláveis

Silvana, catadora de material reciclável do Ecocidadão Acampa, localizado na Cidade Industrial de Curitiba, recebendo os livros arrecadados através de doação e levados até o barracão pela Freguesia do Livro. Ela disse que gosta muito de ler gibis, mas que não estava lendo muito ultimamente por causa da miopia. Também gosta de livros de romance. Ela escolheu um dicionário de português para levar para sua filha fazer os trabalhos da escola. Ela também se encantou com as revistas de receitas.

Silvana e Fabiana

Silvana e Fabiana, catadoras de materiais recicláveis do projeto Ecocidadão Acampa, na Cidade Industrial de Curitiba. As amigas gostam de ler livros de romance e ficaram encantadas com as revistas de receitas. A Fabiana também não anda lendo muito por problemas oftalmológicos e por não possuir óculos adequados. A Fabiana tem 23 anos e me contou que gosta de ler livros de romance para se inspirar e depois escrever cartas. Ela disse que gosta bastante de escrever cartas românticas.

Equipe Acampa: Silvana, Fabiana, Seu Moacir e Augustinho

Ângela Duarte conversando sobre livros e literatura com a Silvana e o Augustinho

Quem quiser colaborar com o Ecocidadão Acampa, doando livros, ou para aqueles que quiserem levar diretamente os seus materiais recicláveis para o barracão, é só entrar em contato através do telefone:  (41) 3288-4539, ou diretamente no endereço: R. Dr. Ivan Ferreira do Amaral, 150, na Cidade Industrial de Curitiba. Ao separar os materiais recicláveis do lixo orgânico e encaminhá-los para os barracões de reciclagem, você está colaborando com o trabalho e sustento desse pessoal.

Ecocidadão Novo Horizonte CIC 

O barracão de reciclagem Ecocidadão Novo Horizonte recebeu livros arrecadados e doados pela Freguesia do Livro.

Iracema e as meninas que trabalham no barracão

O segundo andar do prédio onde fica o Ecocidadão Novo Horizonte tem um amplo espaço onde a Iracema quer montar um cantinho da leitura, com caixas e estantes de madeira e plástico, e materiais recicláveis que são jogados fora, e chegam até lá através dos caminhões do “Lixo Que Não é Lixo”, coleta seletiva da cidade de Curitiba. Quem tiver livros para doar, ou quiser colaborar com materiais e móveis para a biblioteca do Ecocidadão Novo Horizonte, pode entrar em contato com a Freguesia do Livro e com a Iracema pelo telefone: (41) 3285-9637, ou no endereço: Rua Celeste Senegaglia – Cidade Industrial, Curitiba.

Fotos: Dani Carneiro e Juliano Rocha

Post originalmente publicado em Terra Expressa

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Veja na íntegra a reportagem sobre a Freguesia do Livro na Gazeta do Povo:

Livros à caça de novos leitores

Por Ellen Miecoanski

Daniel Castellano/ Gazeta do Povo / O catador Francisco Joel de Almeida é um dos entusiastas do programa Freguesia do Livro

O catador Francisco Joel de Almeida é um dos entusiastas do programa Freguesia do Livro

CULTURA

Livros à caça de novos leitores

Bibliotecas comunitárias fazem obras literárias transitarem por diversas mãos e cativam usuários. Entre eles, catadores de Curitiba

Era apenas uma ferramenta de trabalho até que um dia os livros viraram uma nova ocupação. Sem querer ganhar dinheiro com isso, Josiane Mayr Bibas, Maria Luiza Mayr e Ângela Marques Duarte têm um objetivo em comum: tirar os livros parados nas estantes alheias e fazê-los circular por muitas mãos. Para isso, elas transformam caixas de frutas e livros usados em bibliotecas comunitárias, em que qualquer pessoa pode se converter em leitor.

O projeto Freguesia do Livro começou quando as apaixonadas por leitura Josiane e Ângela decidiram abandonar os consultórios de fonoaudiologia para viver outras experiências. “Como usávamos os livros nas consultas, tínhamos bastante. Resolvemos montar uma biblioteca comunitária na Vila Zumbi, em Colombo, em fevereiro do ano passado”, conta Josiane. Para manter esse espaço, as duas passaram a pedir doações para colegas e amigos. “Vieram muitos livros e resolvemos montar mais bibliotecas.”

Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo

Freguesia

Além de levar publicações para os catadores dos EcoCidadãos, o projeto Freguesia do Livro possui outros programas. Confira quais são:

Recicla Cultura

Além das caixas de frutas, as artesãs confeccionam bolsas retornáveis para carregar livros e compras, aproveitando banners usados; lápis de pinhão feitos a partir de restos de giz de cera; e blocos e cadernetas reaproveitando cadernos usados.

Transporte uma Freguesia

Apesar de ser voltado para Curitiba e região, com a divulgação do projeto Freguesia do Livro na internet, pessoas de outros estados solicitam as caixas ou oferecem doações. Para fazer o transporte desse material, o projeto conta com a mobilização de viajantes voluntários.

Freguesia do Livro nas Comunidades Rurais

Localiza pessoas interessadas em iniciar bibliotecas comunitárias em áreas rurais. Para isso, disponibiliza uma caixa com livros e ajuda na montagem do espaço.

Serviço

Se você deseja colaborar com algum desses projetos ou montar um ponto de leitura, entre em contato pelo e-mailfregues@freguesiadolivro.com.br ou acesse o sitehttps://freguesiadolivro.wordpress.com/.

Dê a sua opinião

Como você avalia essas iniciativas para estimular a leitura? Conhece outra ideia semelhante? Como ela funciona?

Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.

Em março deste ano, a administradora de empresas Maria Luiza se juntou ao grupo e as três, que também são artesãs, passaram a personalizar caixas de frutas com a marca do projeto. Dentro são colocados de 30 a 40 livros que ficam disponíveis em estabelecimentos comerciais e empresas. “Trabalhamos com o conceito de livro livre para estimular a leitura. A pessoa encontra [o livro] numa caixa, pega, lê e leva para outra pessoa ou lugar. Não existe carteirinha e nem data de devolução”, explica Josiane.

EcoCidadão freguês

Com diversas linhas de atuação, o Freguesia também chega aos EcoCidadãos, programa da prefeitura de Curitiba que ajuda na organização de materiais recicláveis coletados na cidade. Hoje são sete barracões atendidos, mas outros já estão em processo de implantação. “Fazemos um contato anterior, explicamos a ideia e levamos a caixa. A gente explica para os catadores como é que funciona e eles acham ótimo”, fala Josiane.

A aproximação dos dois projetos surgiu depois que um casal de voluntários do Freguesia foi a um dos galpões do programa municipal para levar publicações que estavam em péssimas condições e não poderiam mais ser aproveitadas. Naquele dia, uma das catadoras se encantou por um dos volumes e perguntou se não tinha outro livro da Clarice Lispector. Pronto, foi a inspiração para o Freguesia construir mais um capítulo em parceria com a Aliança Empreendedora, entidade responsável pelos EcoCidadãos.

Um dos entusiastas do projeto é Francisco Joel Teixeira de Almeida, 53 anos, um dos associados na Catamare, EcoCidadão localizado no Rebouças. “Acho essa ideia maravilhosa, linda. O que a sociedade precisa fazer pelas pessoas com menos condições financeiras é dar esse outro alimento, que é a leitura.” Na Catamare, a caixa do Freguesia do Livro está há pouco mais de um mês, mas já desperta bastante a curiosidade dos catadores. “Eu acho fantástico eles levarem livros para a gente. Acho que isso convence as pessoas a lerem mais. Duas colegas já pegaram livros e levaram embora para ler, fiquei tão feliz com isso”, conta Almeida.

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