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Posts Tagged ‘Biblioteca livre’

Esse artigo sobre a Freguesia do Livro foi escrito por Luisa Bonín e publicado no recém-lançado site Nossa Causa, feito por gente jovem e que compartilha conteúdo social e atitudes transformadoras para incentivar a todos a fazer parte de mudanças por um mundo melhor. Poucas vezes vimos a Freguesia retratada de maneira tão esclarecedora e por isso agradecemos.

Freguesia do Livro – E se o mundo fosse uma imensa biblioteca?

Que livro você está lendo? Você compra livros? Ou empresta de amigos e conhecidos para ler? Quando foi a última vez que você foi a uma biblioteca? Há quanto tempo seus livros estão parados na prateleira de casa? Já pensou que a sua resposta, somadas as respostas das pessoas que estão à sua volta, mais as respostas dos seus empregadores e representantes políticos, podem influenciar a vida que você leva?

Estou lendo “Tipos de Perturbação”, de Lydia Davis (um livro de contos curtos que estou, infelizmente, lendo muito mais devagar do que gostaria). Compro livros em livrarias (bem mais do que consigo, efetivamente, ler), também empresto de e para amigos – a última vez que fui a biblioteca foi para tirar Xerox. Tenho um número significativo de livros parados em minha estante e tenho pensado bastante em como essas respostas influenciam minha vida desde que terminei a graduação – quando meu tempo me permitiu ler mais daquilo que gosto. Isso tudo me fez querer falar sobre o trabalho lindo que a Angela Duarte, a Josiane (Jô) Bibas e a Maria Luiza Mayr têm feito através da Freguesia do Livro desde 2011.

O que é o projeto

A Freguesia do Livro nasceu de forma totalmente voluntária em Curitiba-PR. Quando a Angela e a Jô deixaram a fonoaudiologia, queriam fazer algo com os livros que elas tinham usado como mães e na vida terapêutica, fazendo com que levassem a outras pessoas o mesmo impacto positivo que eles tinham provocado em suas vidas. Nesse momento, juntou-se a elas a Maria Luiza, e então começaram montando uma biblioteca infantil em um projeto social na Vila Zumbi dos Palmares, um bairro de Colombo, município da Grande Curitiba.

Para alimentar a biblioteca, pediam livros para amigos e conhecidos. Com isso, começaram a receber uma quantidade muito maior de livros do que a biblioteca na Vila Zumbi comportava. Foi então que nasceu a Freguesia do Livro como ela é hoje: na casa de Maria Luiza está o que chamam de bunker dos livros, onde elas reúnem todos os livros que recebem, reformam, separam, carimbam e fazem com que ganhem o mundo mais uma vez. São três os possíveis destinos: manutenção de bibliotecas comunitárias ou de universidades, grandes feiras de doações de livros, e finalmente, o destino que mais me fascina: os pontos de leitura.

Para fazer os livros circularem e chegarem ao maior número de pessoas possível, a Angela, a Jô e a Maria Luiza começaram a colocá-los em caixas de madeira recicladas e decoradas, e levá-los a lugares onde o fluxo de pessoas é grande: cafés, supermercados, associações de moradores, hospitais, hotéis, pousadas, ONGs, igrejas, frutarias, escolas rurais, escolas de yoga, restaurantes, associações de catadores de materiais recicláveis, fábricas, salões de beleza, escolas de idiomas, etc. As possibilidades são infinitas. Em Curitiba, basta se cadastrar no blog da Freguesia para receber uma caixa. A premissa do projeto é o empréstimo livre e a colaboração: pode pegar qualquer livro, não há cadastro nem controle, o único desejo das três fundadoras é que os livros sejam realmente lidos, e que as caixas continuem vivas e alimentadas. Em cada ponto de leitura, é incentivada também a doação de livros, para que cada caixa seja autossustentável.

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1 – Angela Duarte, Jô Bibas e Maria Luiza Mayr no bunker dos livros | 2 – Caixa reciclada e decorada pela Freguesia do Livro, pronta para chegar em mais um ponto de leitura | 3 – Macunaíma, de Mário de Andrade, reformado e carimbado para ganhar o mundo mais uma vez

O livro, por si só, é suficiente?

O trabalho operacional para manter as caixas vivas e para levá-las a mais lugares é grande, a separação e reforma de cada livro é minuciosa, e poderia parecer que o maior desafio do projeto é logístico. Não é. Formar leitores é a tarefa mais difícil, requer amor, paciência e insistência.

“Antes a gente achava que deixar aquela caixa linda de livros em algum lugar era mais do que suficiente para que as pessoas lessem. E não é – a gente tem que criar agentes de leitura”, conta Jô Bibas.

Para fazer com que as pessoas adquiram o hábito da leitura, é preciso fazer com que, em cada um dos pontos, tenha alguém disposto a inspirar outra pessoa a pegar um livro e ler. Agora que a logística do projeto se automatizou nas mãos das três empreendedoras, mobilizar pessoas para incentivar a leitura tem sido a mais nova preocupação do projeto, juntamente com a formalização da iniciativa como ONG, pois o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) irá abrir oportunidades para firmar mais parcerias e até mesmo conseguir recursos para que o projeto possa ser sustentável e gerar mais impacto.

Ao lançarem o blog para o cadastramento de pontos de leitura, o primeiro pedido de livros que receberam foi da cidade de Xapuri, no Acre. Frente à impossibilidade de atendê-los, mas ao mesmo tempo, com um projeto potente em mãos, criaram um manual para que qualquer pessoa possa montar uma Freguesia do Livro em sua cidade.

“É uma ideia tão simples, que a gente quer mais que as pessoas copiem”, completa Angela.

Graças a isso, os pontos de leitura chegaram a Ponta Grossa, Chopinzinho e Foz do Iguaçu, no Paraná; e nas cidades de Florianópolis e Rio de Janeiro; que somados aos já existentes da Grande Curitiba e litoral paranaense, chegam a mais de 90 unidades.

Um dos mais conhecidos e ativos pontos do leitura em Curitiba fica na Frutaria São Francisco, no bairro Ahú. Nenê e Fátima, donos da frutaria, colocaram a caixa de livros no meio das caixas de frutas, e, como bons amantes dos livros, se tornaram grandes agentes de leitura. Hoje as frases mais comuns na frutaria São Francisco, além do quilo do tomate e da doçura da laranja, são: “Tá levando banana, aproveita e vê se não tem um livro bacana aí que você vai gostar”, “Quando você voltar, vê se não tem um livro que você possa trazer”, “Pode levar, não precisa de cadastro”, conta Nenê. A iniciativa na frutaria fez tanto sucesso que hoje eles recebem muitas doações, o que faz com que eles se abasteçam sozinhos e ainda consigam abastecer outros pontos.

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A transformação pela leitura

Formar leitores e dar a eles acesso livre a bons livros, e especificamente aos de ficção, está intrinsecamente ligado a nossa capacidade de enxergar os outros e os atribuir corretamente crenças, ideias, intenções, afetos e sentimentos. É o que diz a pesquisa publicada recentemente pela Revista Science Reading Literary Fiction Improves Theory of Mind  (Ler ficção literária melhora a teoria da mente), de David C. Kidd e Emanuele Castano, citada no artigo “Qual romance você está lendo?” de Contardo Calligaris, na Folha de São Paulo. Ou seja, foi comprovado cientificamente que a leitura é o mais fácil e democrático exercício de empatia e compaixão, fazendo nos colocar no lugar do outro de forma atraente e simples.

O escritor britânico Neil Gaiman no brilhante artigo publicado a pouco pelo Guardian Why our future depends on libraries, reading and daydreaming (Por que o nosso  futuro depende de bibliotecas, da leitura e da imaginação” cita, além da empatia, diversos benefícios que a leitura de ficção provoca, mas vou citar dois deles, que me chamaram muita atenção:

  • Ao fazer com que pessoas comecem a ler um livro e não parem, querendo saber o que acontecerá na outra página, a literatura força as pessoas a aprenderem novas palavras, novas formas de pensar, e com isso descobrir o prazer da leitura. Esse prazer, uma vez descoberto, leva as pessoas a lerem tudo. Vivemos num mundo de palavras, a internet é essencialmente feita por palavras, precisamos compreender o que lemos, e nos entender, para que possamos nos expressar melhor e assim trocar ideias.
  • A ficção exercita nossa imaginação. Nós somos moldados a pensar que o que está a nossa volta é estático, que a nossa sociedade é fechada e não incita mudanças. Mas a verdade é que ao longo de toda a história, as pessoas que mudam o mundo, fazem isso ao imaginar como as coisas podem ser diferentes. Tudo o que está a nossa volta: a cadeira em que estamos sentados, o programa de televisão que assistimos, e até o sistema de transporte de uma cidade foi um dia imaginado por alguém. A leitura faz com que a nossa imaginação vá a lugares nunca antes visitados, e nos ajuda a projetar uma nova e melhor forma de viver.

Potencializar e acelerar a transformação pela leitura é simples, e a Freguesia do Livro está disposta a facilitar a jornada de todos que querem transformar o mundo num lugar habitado por leitores.

Por isso, se assim como eu, você se identificou com o projeto, comece por olhar a estante e ver que livros pode doar e/ou emprestar, e mais do que isso, torne-se um agente de leitura, ajudando a multiplicar os pontos de leitura na sua cidade. A Freguesia do Livro ainda não está em sua cidade? Leve-a.

Você pode ver o artigo na íntegra no site Nossa Causa, aqui.

Sobre Luísa Bonin

Formada em Relações Públicas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR, e em Planejamento Estratégico de Comunicação pela Lemon Escola de Publicidade de Curitiba. Também é atriz profissional desde 2008, e atualmente é Diretora de Comunicação da Aliança Empreendedora e coordenadora do Portal Impulso de Crowdfunding.

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O que você acharia de encontrar um caixote cheio de livros no hotel ou pousada em que estiver hospedado? Um canto de leitura onde você pode deixar o livro que terminou de ler durante a viagem e se servir de outro que poderá deixar em seu próximo destino? Ou, ainda, foi desprevenido para uma pousada charmosa em uma praia e… chove muito. Nenhuma livraria por perto, mas o hotel pensou em agradar seus hóspedes e tem uma pequena estante cheia de livros livres.

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Você, hóspede, com certeza ficaria muito feliz!

E você, dono de hotel, pousada, resort ou camping? O que acha de ter mais esse serviço para oferecer a seus clientes? A Freguesia do Livro já levou livros a diversas pousadas e hoteis.

Knock Knock Hostel,  perto do centro, em Curitiba, tocado por três jovens cheios de criatividade. Combinação perfeita.

Backpackers Hostel. Também em Curitiba.

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 Uma caixa cheia de livros no Curitiba Hostel.  Em um imóvel tombado, no centro histórico de Curitiba.

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Pousada Ribeirão das Pedras, em Bocaiúva do do Sul. Hóspedes com literatura!

Hotel Del Rey – Foz do Iguaçu/PR

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Grajagan Surf Resort – Ilha do Mel/PR

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Levamos livros para a Pousada Varshana – Balsa Nova/PR e recebemos esse depoimento:

Nossa pousada tem como objetivo proporcionar descanso e tranquilidade a nossos clientes.
Nossa temática indiana conquista cada dia mais as pessoas que querem ficar em silêncio e se desconectar.
Com este conceito criamos uma pequena biblioteca, usando nossos próprios livros e doações de amigos (como a Freguesia do Livro) para incentivar a leitura, afinal, não temos TV nos quartos.
Em breve teremos um novo espaço na pousada que vai se chamar Louge Varshana. Lá teremos uma sala de leitura, jogos educativos e videoteca com filmes selecionados.
Para os doadores de livros (não importa a quantidade) vamos conceder um desconto de 5% em qualquer um de nossos pacotes publicados em nosso site www.varshana.com.br. Basta trazer sua doação e o desconto será concedido no check out, legal?
Abraços e obrigado pelo apoio!
Lincoln Moro e Arlete Santos

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Se o seu estabelecimento for em Curitiba, região metropolitana ou litoral do Paraná, entre em contato conosco (fregues@freguesiadolivro.com.br)  que faremos chegar livros até vocês. Se estiver em outras regiões do Estado ou do país, arrecade livros, organize um pequeno acervo e seja mais um nessa cadeia de incentivo à leitura.

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Angélica, aluna de Licenciatura em Linguagem e Comunicação da UFPR-Litoral, solicitou livros para a Freguesia do Livro. Ela é bolsista de um projeto de extensão chamado Minha Universidade Lê, idealizado e coordenado pela professora Elisiani V. Tiepolo. Também conhecido por MinhaUL, o projeto visa criar uma cultura de leitura na comunidade escolar, a partir de várias ações promovidas de forma integrada e contínua.

 Uma dessas ações é a Feira Livro que acontece sempre às quartas-feiras, entre os blocos didáticos da UFPR-Litoral,  das 18h às 19h, onde são realizados empréstimos de livros para os acadêmicos, docentes e funcionários.

Neste mesmo dia da semana, pela  manhã, o MinhaUL está na Matinfeira, feira da agricultura familiar e artesanato onde se reúnem pequenos agricultores de Matinhos, Morretes, Colônia Maria Luiza e Colônia Pereira, litoral do Paraná.  A  feira está localizada próxima ao Mercado Do Peixe, no centro de Matinhos. Nesse  lugar calmo com bela vista do mar promove-se o incentivo à leitura através de trocas e empréstimos de livros e gibis. Com o tempo, observou-se que um bom fluxo de pessoas visivelmente vão à feira somente para devolver livros e realizar empréstimos.

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Esse é o depoimento de Angélica: “Fico com o MinhaUL, das 9h as 12, toda quarta-feira. Coloco livros numa mesa, sinalizo o que é e o povo chega, pergunta, alguns se encantam, outros trazem livros para doar. A conversa flui totalmente direcionada à leitura. Cada um fala de um livro que leu, outro que não gosta de ler, mas o neto gosta… e assim vai. Os próprios feirantes divulgam a leitura e já emprestam livros. Uma lindo resultado, visto que o projeto tem poucos meses apenas. Fica o convite para prestigiarem a Matinfeira, tomar o suco natural da Japonesa juntamente com o verdadeiro pastel de feira, feito com o maior carinho”.

 O MinhaUL funciona apenas a partir de doações de livros e da divulgação de acervos já existentes,  partindo do princípio de criar formas de fazer com que os livros circulem. Por isso, o projeto precisa de doações de livros e gibis para  conseguir levar essa ação adiante. O público é variado e a vontade ler é grande.

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A Freguesia do Livro acaba de enviar livros para lá e, segundo a Angélica, deram uma revigorada no acervo e no interesse dos clientes leitores. Você está por perto? Envie livros para lá. Você está em Curitiba? Manda para a Freguesia que nós espalhamos livros por vários lugares. Você está longe daqui mas acha que livros devem circular? Doe livros, existem muitas iniciativas como as nossas no Brasil inteiro!

 UFPR – Litoral: http://www.litoral.ufpr.br/feiralivro

https://www.facebook.com/angelica.love.9

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* esse é o depoimento de Thea Tavares, postado no Facebook. Gostamos e pedimos a ela para colocar aqui no blog. Ficamos muito felizes.

“Já era uma delícia frequentar a Frutaria São Francisco (R. Eça de Queiroz, esquina com rua Guaratuba), no bairro Ahú – Curitiba, para comprar frutas e verduras fresquinhas, frutas secas, cereais, mel e grãos, entre outros alimentos. Mas há pouco mais de dois meses, o comércio do Nenê e da Fátima virou parada obrigatória para quem tem fome de conhecimento e se dedica a devorar poesia, literatura, história e até contos de fadas. É que esse é exatamente o mesmo tempo em que a frutaria aderiu ao movimento curitibano lítero-libertário Freguesia do Livro.

A ideia é espalhar o hábito da leitura, além de incentivar a criação de pequenas bibliotecas e, dessa forma, disponibilizar livros ao alcance de todos. Assim como o artista tem de ir onde o povo está, os livros também são expostos à freguesia do Nenê na Frutaria São Francisco. É possível emprestar publicações, devolvê-las ou retribuir os volumes com livros em bom estado que se tem em casa. Uma verdadeira feira do escambo literário.

Achei um “Distraídos Venceremos”, de Paulo Leminski, “Papillon – O homem que fugiu do inferno”, de Henri Charrière, e dois clássicos do romantismo brasileiro, que viraram filmes e novelas de época na Televisão: “A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo, e “A Escrava Isaura”, de Bernardo Guimarães. Estes dois últimos me remetem ao antigo 2º grau e às fichas de leitura de preparação para o vestibular lá no final da década de 80.

Já estou separando os títulos que doarei para a biblioteca da frutaria São Francisco, até me saciar com as obras que trouxe de lá hoje. Quem vai adorar saber disso é a querida Elisabeth Lemes, da Galeriatrombini Trombini. Sobretudo porque os livros do Nenê estão dispostos em caixas plásticas de frutas e verduras e foi bem assim que começou o acervo da Galeria Trombini, que soma hoje 30 mil títulos e uma comunidade de 1.750 leitores assíduos na litorânea Morretes.

Ah, vale lembrar que, com esse endereço – R. Eça de Queiroz –, a frutaria do Nenê e da Fátima era mesmo predestinada a iniciativas literárias como a da Freguesia do Livro.

Parabéns a todos os envolvidos”!
Fotos: Thea Tavares.

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Antes de começar a Freguesia do Livro, fomos tomar um café com o Alessandro Martins. Ele é o autor do blog Livros e Afins onde faz circular tudo o que tem a ver com esse tema. Ou seja, referência importante no cenário literário.

Ele apoiou a ideia, pois já fazia algo parecido e pioneiro na Bibliopote, aqui em Curitiba. As ideias de Alessandro são inspiradoras, a começar por esse elenco de motivos para doar livros que trouxemos diretamente do blog dele. Você pode ver o post na íntegra aqui: livroseafins.com

9 motivos para dar seus livros

Por Alessandro Martins/ Livros e Afins

Livros trazem dentro de si as vozes de homens e mulheres que muitas vezes atravessaram as décadas, os séculos, para chegar até nós. É a voz forte dessas pessoas, falando diretamente aos nossos ouvidos numa relação tão íntima, que ouvimos quando lemos tais páginas. Quando fechamos um livro e o mantemos na estante para o resto de nossas vidas, calamos essas vozes que mereciam ser ouvidas por mais pessoas.

É no que acredito.

Poucos são os livros que realmente precisamos manter em nossa posse.

  • Um livro antigo ou raro
  • Um livro com uma dedicatória especial, autografado ou que pertenceu a alguém que, para nós, é importante
  • Livros de consulta ou de referência, como dicionários ou literatura técnica usada com frequência para o exercício de um trabalho
  • Alguma outra situação de que não lembro no momento, mas acho que você entendeu

Livro não é enfeite

Livros não são enfeites ou troféus. Foram feitos para serem lidos. Não para serem exibidos como quem diz: “Veja! Veja! Quantos livros li! Veja como sou culto e inteligente”.

Aqueles livros de que mais gostamos são justamente os livros que devemos passar adiante. Afinal, se gostamos, por que não deixar outras pessoas gostarem deles também?

E, se elas não gostarem, poderão mais uma vez passar adiante o livro, num ciclo infinito até que ele chegue às mãos, aos olhos e aos ouvidos atentos de uma pessoa como você: a pessoa para quem o autor escreveu aquilo, como quem escreve uma carta destinada a atravessar o rio do tempo e do espaço.

Presentear, quando feito de coração, faz mais bem a quem presenteia do que a quem recebe. Na verdade, faz bem às duas partes.

Assim, considero que há diversos motivos para se presentear ou doar livros que estão em suas estantes, dos mais nobres aos mais práticos:

  1. Espaço: se você gosta de ler, novos livros devem chegar a todo instante a sua estante (rima involuntária). Por que não abrir caminho para os livros novos?
  2. Limpeza: livros (quando parados) juntam pó. Tenha mais tempo para ler e gaste menos tempo limpando estantes
  3. Simplificar: você já pensou em ter menos coisas e ter uma vida mais simples?
  4. Parar de se importar com empréstimos que não voltam: empreste e não fique sofrendo  por que eles não voltam. Ou não empreste.
  5. Colaborar com a leitura: frequentemente aqueles que mais reclamam de que o Brasil é um país que não lê, que livros são caros e outras chorumelas são aquelas pessoas mais sovinas com os seus livros, contribuindo com o baixo número de livros lidos por ano por pessoa
  6. Socializar suas preferências: quando seus amigos gostam dos mesmos autores que você ou compartilham dos mesmos gostos literários vocês têm mais sobre o que conversar. Dando livros de seus autores preferidos você contribui com esse ambiente
  7. Ser generoso: não é para bonito ou para dizer que você é generoso. A generosidade é uma qualidade que é um bem em si e quem já descobriu isso não tem como expressar. Por exemplo, a gratidão de um amigo que descobriu um novo autor graças a você não tem preço
  8. Exercitar o desapego: poucas coisas são realmente essenciais. E, embora eu ame livros, a posse dos livros não é uma delas. Os livros, seu conteúdo e seu objetivo de espargir ideias, sim, o são. Estamos partindo para um momento em que o ser é mais importante que o ter, as experiências mais importantes que as posses
  9. Manter a voz de seus escritores preferidos viva: já falei sobre isso no início do texto, mas julgo importante

Assim, minha sugestão é: doe e dê livros que estão em sua estante.

Escolha pelo menos metade deles e experimente o ato transformador que é fazer os livros voarem.

Escolha amigos adequados para livros adequados e presenteie.

Escolha a biblioteca ou iniciativa literária que melhor receberá essas obras, de maneira que eles cheguem ao maior número de pessoas possível.

 

E se você quiser coroar esse post com a leitura de belo texto de José Carlos Fernandes sobre a Bibliopote, acomode-se e entre aqui: Dois pães e um livro, por favor.

Imagem inicial daqui.

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Além de ser muito legal, doar livros é uma atitude solidária.

Essa é a coleção de livros doados pela Kátia Klassen, professora de língua portuguesa, literatura brasileira e redação jornalística, diretamente de seu acervo pessoal, trazidos de São Paulo para Curitiba. Parte da coleção foi doada para a biblioteca comunitária que a Professora Nadzieja está montando no bairro Uberaba. Um grande exemplo de solidariedade que pode ser praticado por muitas pessoas.

É bacana perceber que as pessoas estão se conscientizando da importância de doar livros e destiná-los a locais em que elas sabem que serão bem aproveitados. No início de nosso trabalho com a Biblioteca Comunitária do Sítio Vanessa, há um ano e três meses, encontramos algumas resistências. O livro no Brasil é caro, isso é um fato, e quem compra tem apego, seja por amar aquele livro, aquela história, aquele autor, e também pelo preço que pagou naquele exemplar.

Mas ao longo desse ano, encontramos pessoas dispostas a deixar seus livros livres para novos leitores.

O importante para quem está iniciando uma biblioteca comunitária, ou que já tem uma em funcionamento é mostrar retorno àqueles que doaram livros. Publicar nos blogs e redes sociais as iniciativas com fotos e textos descritivos e mostrar as ações educativas, as tardes recreativas, os momentos de leitura, para que aqueles que doaram livros possam ver que eles estão sendo muito bem aproveitados, e o mais importante, perpetuados.

Para aqueles que estão começando a se desapegar de alguns exemplares e que estão abrindo a mente para uma possível doação, meu conselho é que procurem locais idôneos, conheçam as bibliotecas do bairro e da comunidade, dediquem-se a uma pesquisa um pouquinho mais aprofundada, seja na Internet, ou pelo telefone, ou até mesmo na conversa diária com amigos, colegas, vizinhos e parentes, para descobrir qual é o melhor local,  o mais apropriado para doar seus livros e ter a certeza de que eles serão bem aproveitados e utilizados tão bem quanto o antigo dono.

Foto: Daniele Carneiro – Texto publicado originalmente em Bibliotecas do Brasil

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Aqui estamos para apresentar a mais recente resenha de atividades da Freguesia. Assim, você que nos doa livros, acompanha os movimentos que seus livros estão fazendo e percebe que é um importante agente nesse incentivo à leitura.

Livros em uma escola de yoga: Ashram Montserrat- Lui. Combinando com o perfil do público, uma caixa está a disposição dos alunos em um lugar cheio de paz e bons fluidos.

Livros na Sensorial Bazzar, uma loja que preza o bem-estar. Lá também colocamos à venda lindos marcadores de livro doados pela amiga Carmen Strobel.

Começamos a ajudar a formação de uma biblioteca comunitária no bairro Uberaba, aqui em Curitiba, idealizado pela professora Nadzieja.

Concluímos a organização da biblioteca na instituição Passos da Criança.

Uma caixa de livros foi para a Pousada Ribeirão das Pedras, em Bocaiúva do do Sul. Hóspedes com literatura!

Livros estrangeiros em alemão, inglês, francês, espanhol, italiano… Para onde? Para o Celin, centro de línguas da UFPR. Livros para os alunos se servirem à vontade!

No Restaurante Vegetariano Sorella – Curitiba. Por enquanto, no do Centro Cívico. Em breve também no Champagnat.

No restaurante Costela no Rolete Nick. Os fregueses têm mais um bom motivo para ir e vir.

Mais EcoCidadãos receberam caixas com livros. Dessa vez estivemos na Associação Natureza Livre. Faltam poucos para completarmos todas as associações de catadores de material reciclável de Curitiba.

E continuamos a restaurar caixas e mais caixas de frutas, transformando-as em caixas de livros. Trabalho em equipe.

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Feira do Livro Senai CIC

Ontem a Freguesia do Livro participou da Feira do Livro Senai CIC, evento voltado para os alunos do colégio do Sesi de ensino médio, e para os alunos dos cursos técnicos do Senai. A proposta era apresentar a Freguesia para os alunos, doar livros, incentivá-los à leitura, e também a troca de livros e doação. Conversamos com eles sobre bibliotecas e livros livres. Essa foi a primeira vez que a Freguesia do Livro participou de uma feira literária e o resultado foi muito bacana. O quiosque da Freguesia ficou repentinamente movimentado assim que os alunos foram liberados para o intervalo. Os marcadores de páginas confeccionados pelas colaboradoras da Freguesia e que integram o projeto Recicla Cultura fizeram sucesso, e foram vendidos por R$1,00 cada, valor que será revertido para novos projetos da Freguesia.

Banner da Freguesia do Livro

Jô Bibas, Juliano Rocha e Ângela Duarte preparando o quiosque da Freguesia

Alunos do Sesi e do Senai escolhendo livros da Freguesia do Livro

Os alunos ficaram bastante entusiasmados com a possibilidade de escolher um livro e levar para casa sem precisar pagar nada, e aproveitaram para conversar sobre literatura e suas leituras preferidas. O mais bacana foi perceber que as pessoas adoram o empréstimo livre e a livre circulação de livros sem precisar de carteirinha ou apresentação de documentos, sem burocracia.  Eles pediram para que a gente volte ao Senai, mas pediram para avisarmos antes, para que eles também possam levar livros para trocar e doar. Não é o máximo?!

A caixa de livros da Freguesia prontinha para os alunos do Sesi e do Senai

Ecocidadão Acampa CIC

Visitamos dois barracões de reciclagem com a Freguesia do Livro localizados também na Cidade Industrial de Curitiba, para levar os livros arrecadados e doá-los para os funcionários e catadores de material reciclável que trabalham nos barracões. O primeiro barracão de materiais reciclados visitado foi o Acampa – Associação de Catadores de Materiais Recicláveis Parceiros do Meio Ambiente.

Acampa

Silvana, catadora de materiais recicláveis

Silvana, catadora de material reciclável do Ecocidadão Acampa, localizado na Cidade Industrial de Curitiba, recebendo os livros arrecadados através de doação e levados até o barracão pela Freguesia do Livro. Ela disse que gosta muito de ler gibis, mas que não estava lendo muito ultimamente por causa da miopia. Também gosta de livros de romance. Ela escolheu um dicionário de português para levar para sua filha fazer os trabalhos da escola. Ela também se encantou com as revistas de receitas.

Silvana e Fabiana

Silvana e Fabiana, catadoras de materiais recicláveis do projeto Ecocidadão Acampa, na Cidade Industrial de Curitiba. As amigas gostam de ler livros de romance e ficaram encantadas com as revistas de receitas. A Fabiana também não anda lendo muito por problemas oftalmológicos e por não possuir óculos adequados. A Fabiana tem 23 anos e me contou que gosta de ler livros de romance para se inspirar e depois escrever cartas. Ela disse que gosta bastante de escrever cartas românticas.

Equipe Acampa: Silvana, Fabiana, Seu Moacir e Augustinho

Ângela Duarte conversando sobre livros e literatura com a Silvana e o Augustinho

Quem quiser colaborar com o Ecocidadão Acampa, doando livros, ou para aqueles que quiserem levar diretamente os seus materiais recicláveis para o barracão, é só entrar em contato através do telefone:  (41) 3288-4539, ou diretamente no endereço: R. Dr. Ivan Ferreira do Amaral, 150, na Cidade Industrial de Curitiba. Ao separar os materiais recicláveis do lixo orgânico e encaminhá-los para os barracões de reciclagem, você está colaborando com o trabalho e sustento desse pessoal.

Ecocidadão Novo Horizonte CIC 

O barracão de reciclagem Ecocidadão Novo Horizonte recebeu livros arrecadados e doados pela Freguesia do Livro.

Iracema e as meninas que trabalham no barracão

O segundo andar do prédio onde fica o Ecocidadão Novo Horizonte tem um amplo espaço onde a Iracema quer montar um cantinho da leitura, com caixas e estantes de madeira e plástico, e materiais recicláveis que são jogados fora, e chegam até lá através dos caminhões do “Lixo Que Não é Lixo”, coleta seletiva da cidade de Curitiba. Quem tiver livros para doar, ou quiser colaborar com materiais e móveis para a biblioteca do Ecocidadão Novo Horizonte, pode entrar em contato com a Freguesia do Livro e com a Iracema pelo telefone: (41) 3285-9637, ou no endereço: Rua Celeste Senegaglia – Cidade Industrial, Curitiba.

Fotos: Dani Carneiro e Juliano Rocha

Post originalmente publicado em Terra Expressa

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Comunidades rurais e regiões afastadas dos grandes centros urbanos podem agora montar suas próprias bibliotecas com a ajuda da Freguesia do Livro.

Você mora em uma pequena comunidade rural? Ou  tem uma chácara no meio do verde?  Sua casa está afastada dos grandes centros urbanos? A sua comunidade tem uma biblioteca ou acesso a livros? A região onde você mora possui uma biblioteca com fácil acesso aos livros num raio de 3 km ? Se você respondeu sim para a primeira pergunta e não ou “mais ou menos” para as demais, essa notícia vai lhe interessar.

Caminho do Vinho, área rural de São José dos Pinhais/PR,
local simpático para um ponto de leitura.

Nós estamos procurando pessoas interessadas em abrir pequenas bibliotecas em localidades rurais, regiões metropolitanas e locais afastados dos grandes centros urbanos. Observe se na sua região ou comunidade existe a presença de livros com acesso facilitado aos moradores. Perceba se existem livros à disposição das crianças, dos adolescentes, dos jovens, do pessoal da terceira idade. Se perceber que essa necessidade existe, com a ajuda da Freguesia do Livro você poderá colocar livros nas mãos de muitas pessoas, potenciais leitores.

O que é a Freguesia do Livro?

A Freguesia do Livro é um projeto voluntário de pessoas que amam a leitura e se organizaram para montar pequenas bibliotecas em lugares improváveis, para facilitar o acesso aos livros. A proposta é arrecadar livros de pessoas que tenham exemplares esquecidos nas estantes, entrar em contato com pessoas que tenham a vontade de iniciar bibliotecas de empréstimo livre em suas comunidades e as ajudar a começar do zero, fazendo esse intercâmbio entre aqueles que querem doar e os que querem iniciar suas bibliotecas. A Freguesia também ajuda bibliotecas que já estão montadas, trilhando sua trajetória, aprimorando seus acervos com a doação de mais livros.

Quero montar uma biblioteca, como faço?

Caixa da Freguesia do Livro, entre 40 e 60 livros para iniciar uma biblioteca gratuitamente

A primeira coisa a se fazer é arranjar um local para a montagem da biblioteca, um espaço para colocar uma caixa de feira reciclada da Freguesia com uma quantia inicial entre 40 e 60 livros que combinam com o perfil da comunidade para onde vão. Se for do interesse da pessoa que montar a pequena biblioteca, incluímos na caixa revistas, jornais literários, enciclopédias, folhetos educativos e todo material necessário à educação, informações sobre os mais diversos assuntos e boas leituras.

Onde posso colocar a minha biblioteca?

O local que receberá a caixa pode ser um centro comunitário, a associação de moradores, uma mercearia, um armazém, uma padaria, uma barbearia ou salãozinho de beleza, o ateliê de uma costureira, uma pequena loja de 1,99, etc. O local precisa ser frequentado ou visitado pelos moradores da região, onde as pessoas venham periodicamente, ou que receba uma concentração de moradores e visitantes, como o quiosque de uma quadra de futebol, uma lanchonete, a área de lazer de uma chácara ou sítio aberta ao público, a recepção de uma pousada ou de um camping, a área comum de hotéis ou de um pesque-pague, o salão de uma igreja, uma horta comunitária, uma vinícola e assim por diante. É importante que exista a circulação de pessoas. Veja aqui, aqui e aqui, alguns exemplos de bibliotecas nesses moldes que já existem.

Dá muito trabalho?

O bonito dessa proposta é que os livros devem circular, sem cobranças, multas e prazos. Só na confiança. Biblioteca livre é aquela que pede que o leitor leia e depois devolva ou passe adiante. Ou seja, não dá trabalho ao responsável pela pequena biblioteca. E produz uma grande satisfação por estar incentivando a leitura. Nesse post, algumas dicas.

Mas, eu já tenho uma biblioteca…

Biblioteca Amigo Livro no Balneário Nereidas em Guaratuba, litoral do PR,
idealizada por Silvia Buchalla, já recebeu livros da Freguesia

Pode até ser um local onde já exista uma biblioteca com poucos recursos e poucos livros no acervo. A Freguesia do Livro ajudará a incrementá-lo, enviando livros infantis, livros para adolescentes, livros de autoajuda, enciclopédias, gibis, enfim, os livros necessários para o perfil do público que já frequenta o local.

E quanto custa?

O mais importante é que a pessoa que solicitar a caixa da Freguesia do Livro não pagará nada por ela. A Freguesia do Livro é um projeto voluntário, e não cobra para montar essas pequenas bibliotecas. Queremos apenas o compromisso da pessoa em manter a biblioteca ativa e os livros circulando.

Você se animou com a ideia de montar uma biblioteca em sua comunidade ou ampliar uma que já existe?

Entre em contato conosco através do e-mail fregues@freguesiadolivro.com.br e faça também o seu cadastro no nosso blog.

 

Fotos: Juliano Rocha / Josiane Bibas

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A Freguesia do Livro precisa de um espaço! Um canto para chamar de seu.

Como você sabe, a Freguesia do Livro é um movimento literário que faz livros circularem. Livros doados de acervos pessoais são levados para novos leitores. Você pode ver onde já chegamos:
https://freguesiadolivro.wordpress.com/2012/05/28/e-a-freguesia-continua/
https://freguesiadolivro.wordpress.com/2012/04/26/freguesia-o-que-fizemos-ate-aqui/

A Freguesia está crescendo, estamos recebendo muitos livros e ficamos muito felizes com a colaboração de todos, pois assim mais pontos de leitura estão sendo colocados por aí. Mais gente lendo e é bem isso que queremos. Para que esse trabalho seja cada vez melhor, estamos precisando de um espaço maior para receber, organizar e classificar os livros que recebemos e para montarmos os acervos para os pontos de leitura que se cadastram. Basta uma sala, onde possamos colocar estantes para que os livros sejam dignamente guardados, aguardando para chegar a novos leitores.

Esse é o objetivo dessa conversa: quem sabe você, que é de Curitiba, conhece algum lugar, uma sala ociosa em algum estabelecimento comercial, numa clínica, numa loja, num atelier… Ou conhece alguém que tenha um lugar assim. Ajude-nos a encontrar esse lugar. 

Escultura em papel de Su Blackwell

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