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Archive for the ‘Divulgação’ Category

Esse artigo sobre a Freguesia do Livro foi escrito por Luisa Bonín e publicado no recém-lançado site Nossa Causa, feito por gente jovem e que compartilha conteúdo social e atitudes transformadoras para incentivar a todos a fazer parte de mudanças por um mundo melhor. Poucas vezes vimos a Freguesia retratada de maneira tão esclarecedora e por isso agradecemos.

Freguesia do Livro – E se o mundo fosse uma imensa biblioteca?

Que livro você está lendo? Você compra livros? Ou empresta de amigos e conhecidos para ler? Quando foi a última vez que você foi a uma biblioteca? Há quanto tempo seus livros estão parados na prateleira de casa? Já pensou que a sua resposta, somadas as respostas das pessoas que estão à sua volta, mais as respostas dos seus empregadores e representantes políticos, podem influenciar a vida que você leva?

Estou lendo “Tipos de Perturbação”, de Lydia Davis (um livro de contos curtos que estou, infelizmente, lendo muito mais devagar do que gostaria). Compro livros em livrarias (bem mais do que consigo, efetivamente, ler), também empresto de e para amigos – a última vez que fui a biblioteca foi para tirar Xerox. Tenho um número significativo de livros parados em minha estante e tenho pensado bastante em como essas respostas influenciam minha vida desde que terminei a graduação – quando meu tempo me permitiu ler mais daquilo que gosto. Isso tudo me fez querer falar sobre o trabalho lindo que a Angela Duarte, a Josiane (Jô) Bibas e a Maria Luiza Mayr têm feito através da Freguesia do Livro desde 2011.

O que é o projeto

A Freguesia do Livro nasceu de forma totalmente voluntária em Curitiba-PR. Quando a Angela e a Jô deixaram a fonoaudiologia, queriam fazer algo com os livros que elas tinham usado como mães e na vida terapêutica, fazendo com que levassem a outras pessoas o mesmo impacto positivo que eles tinham provocado em suas vidas. Nesse momento, juntou-se a elas a Maria Luiza, e então começaram montando uma biblioteca infantil em um projeto social na Vila Zumbi dos Palmares, um bairro de Colombo, município da Grande Curitiba.

Para alimentar a biblioteca, pediam livros para amigos e conhecidos. Com isso, começaram a receber uma quantidade muito maior de livros do que a biblioteca na Vila Zumbi comportava. Foi então que nasceu a Freguesia do Livro como ela é hoje: na casa de Maria Luiza está o que chamam de bunker dos livros, onde elas reúnem todos os livros que recebem, reformam, separam, carimbam e fazem com que ganhem o mundo mais uma vez. São três os possíveis destinos: manutenção de bibliotecas comunitárias ou de universidades, grandes feiras de doações de livros, e finalmente, o destino que mais me fascina: os pontos de leitura.

Para fazer os livros circularem e chegarem ao maior número de pessoas possível, a Angela, a Jô e a Maria Luiza começaram a colocá-los em caixas de madeira recicladas e decoradas, e levá-los a lugares onde o fluxo de pessoas é grande: cafés, supermercados, associações de moradores, hospitais, hotéis, pousadas, ONGs, igrejas, frutarias, escolas rurais, escolas de yoga, restaurantes, associações de catadores de materiais recicláveis, fábricas, salões de beleza, escolas de idiomas, etc. As possibilidades são infinitas. Em Curitiba, basta se cadastrar no blog da Freguesia para receber uma caixa. A premissa do projeto é o empréstimo livre e a colaboração: pode pegar qualquer livro, não há cadastro nem controle, o único desejo das três fundadoras é que os livros sejam realmente lidos, e que as caixas continuem vivas e alimentadas. Em cada ponto de leitura, é incentivada também a doação de livros, para que cada caixa seja autossustentável.

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1 – Angela Duarte, Jô Bibas e Maria Luiza Mayr no bunker dos livros | 2 – Caixa reciclada e decorada pela Freguesia do Livro, pronta para chegar em mais um ponto de leitura | 3 – Macunaíma, de Mário de Andrade, reformado e carimbado para ganhar o mundo mais uma vez

O livro, por si só, é suficiente?

O trabalho operacional para manter as caixas vivas e para levá-las a mais lugares é grande, a separação e reforma de cada livro é minuciosa, e poderia parecer que o maior desafio do projeto é logístico. Não é. Formar leitores é a tarefa mais difícil, requer amor, paciência e insistência.

“Antes a gente achava que deixar aquela caixa linda de livros em algum lugar era mais do que suficiente para que as pessoas lessem. E não é – a gente tem que criar agentes de leitura”, conta Jô Bibas.

Para fazer com que as pessoas adquiram o hábito da leitura, é preciso fazer com que, em cada um dos pontos, tenha alguém disposto a inspirar outra pessoa a pegar um livro e ler. Agora que a logística do projeto se automatizou nas mãos das três empreendedoras, mobilizar pessoas para incentivar a leitura tem sido a mais nova preocupação do projeto, juntamente com a formalização da iniciativa como ONG, pois o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) irá abrir oportunidades para firmar mais parcerias e até mesmo conseguir recursos para que o projeto possa ser sustentável e gerar mais impacto.

Ao lançarem o blog para o cadastramento de pontos de leitura, o primeiro pedido de livros que receberam foi da cidade de Xapuri, no Acre. Frente à impossibilidade de atendê-los, mas ao mesmo tempo, com um projeto potente em mãos, criaram um manual para que qualquer pessoa possa montar uma Freguesia do Livro em sua cidade.

“É uma ideia tão simples, que a gente quer mais que as pessoas copiem”, completa Angela.

Graças a isso, os pontos de leitura chegaram a Ponta Grossa, Chopinzinho e Foz do Iguaçu, no Paraná; e nas cidades de Florianópolis e Rio de Janeiro; que somados aos já existentes da Grande Curitiba e litoral paranaense, chegam a mais de 90 unidades.

Um dos mais conhecidos e ativos pontos do leitura em Curitiba fica na Frutaria São Francisco, no bairro Ahú. Nenê e Fátima, donos da frutaria, colocaram a caixa de livros no meio das caixas de frutas, e, como bons amantes dos livros, se tornaram grandes agentes de leitura. Hoje as frases mais comuns na frutaria São Francisco, além do quilo do tomate e da doçura da laranja, são: “Tá levando banana, aproveita e vê se não tem um livro bacana aí que você vai gostar”, “Quando você voltar, vê se não tem um livro que você possa trazer”, “Pode levar, não precisa de cadastro”, conta Nenê. A iniciativa na frutaria fez tanto sucesso que hoje eles recebem muitas doações, o que faz com que eles se abasteçam sozinhos e ainda consigam abastecer outros pontos.

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A transformação pela leitura

Formar leitores e dar a eles acesso livre a bons livros, e especificamente aos de ficção, está intrinsecamente ligado a nossa capacidade de enxergar os outros e os atribuir corretamente crenças, ideias, intenções, afetos e sentimentos. É o que diz a pesquisa publicada recentemente pela Revista Science Reading Literary Fiction Improves Theory of Mind  (Ler ficção literária melhora a teoria da mente), de David C. Kidd e Emanuele Castano, citada no artigo “Qual romance você está lendo?” de Contardo Calligaris, na Folha de São Paulo. Ou seja, foi comprovado cientificamente que a leitura é o mais fácil e democrático exercício de empatia e compaixão, fazendo nos colocar no lugar do outro de forma atraente e simples.

O escritor britânico Neil Gaiman no brilhante artigo publicado a pouco pelo Guardian Why our future depends on libraries, reading and daydreaming (Por que o nosso  futuro depende de bibliotecas, da leitura e da imaginação” cita, além da empatia, diversos benefícios que a leitura de ficção provoca, mas vou citar dois deles, que me chamaram muita atenção:

  • Ao fazer com que pessoas comecem a ler um livro e não parem, querendo saber o que acontecerá na outra página, a literatura força as pessoas a aprenderem novas palavras, novas formas de pensar, e com isso descobrir o prazer da leitura. Esse prazer, uma vez descoberto, leva as pessoas a lerem tudo. Vivemos num mundo de palavras, a internet é essencialmente feita por palavras, precisamos compreender o que lemos, e nos entender, para que possamos nos expressar melhor e assim trocar ideias.
  • A ficção exercita nossa imaginação. Nós somos moldados a pensar que o que está a nossa volta é estático, que a nossa sociedade é fechada e não incita mudanças. Mas a verdade é que ao longo de toda a história, as pessoas que mudam o mundo, fazem isso ao imaginar como as coisas podem ser diferentes. Tudo o que está a nossa volta: a cadeira em que estamos sentados, o programa de televisão que assistimos, e até o sistema de transporte de uma cidade foi um dia imaginado por alguém. A leitura faz com que a nossa imaginação vá a lugares nunca antes visitados, e nos ajuda a projetar uma nova e melhor forma de viver.

Potencializar e acelerar a transformação pela leitura é simples, e a Freguesia do Livro está disposta a facilitar a jornada de todos que querem transformar o mundo num lugar habitado por leitores.

Por isso, se assim como eu, você se identificou com o projeto, comece por olhar a estante e ver que livros pode doar e/ou emprestar, e mais do que isso, torne-se um agente de leitura, ajudando a multiplicar os pontos de leitura na sua cidade. A Freguesia do Livro ainda não está em sua cidade? Leve-a.

Você pode ver o artigo na íntegra no site Nossa Causa, aqui.

Sobre Luísa Bonin

Formada em Relações Públicas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR, e em Planejamento Estratégico de Comunicação pela Lemon Escola de Publicidade de Curitiba. Também é atriz profissional desde 2008, e atualmente é Diretora de Comunicação da Aliança Empreendedora e coordenadora do Portal Impulso de Crowdfunding.
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A I Festa da Freguesia do Livro aconteceu e foi linda! A chuva tentou sabotar, mas a literatura brilhou no Galpão Thá Cultural. Escritores curitibanos leram trechos de suas obras para adultos e crianças. Falaram sobre suas preferências literárias e sua relação com os livros.

Crianças fizeram dobraduras e ilustrações. Sorteios de livros e toys animaram a tarde. Contação de histórias e pipoqueiro. Música e fotografia. Um tambor personalizado recebia livros doados e artigos da Freguesia estavam à venda. De tudo e mais um pouco. Só alegrias!

A festa foi um sucesso porque contamos com a preciosa ajuda de Luci Collin na realização e com o apoio e participação de Marcelo Sandmann, Marilia Kubota, Alvaro Posselt, Ricardo Corona, Assionara Souza, Severo Brudzinski, Carlos Machado, Alexandra Barcellos e Marilza Conceição. Origamis de Gogó Guarinello e ilustrações de Mari Ines Piekas. Emanuela Siqueira da Igreja do Livro Transformador, Daniel Zanella do Jornal Relevo, Edison Kruger do Instituto História Viva, Cintia Scoriza. Fotógrafa Bianca Muzzillo, toys da Shofarkids/ Marcus Matumoto. Editora Inverso, Gustas na personalização do tambor e os jovens Luane, Larissa, Cesar e Bernardo recepcionando os convidados. Regina Nakid e Marines Araújo nas vendas e Sandra Martins na divulgação das ações da Freguesia na TV cedida pela Claro. BelPress Comunicação, Galpão Thá Cultural e, desde o começo, Norma e Lucia Müller, da Voilà.

Festa e leitura. Em breve, repetiremos a dose. Aguarde!

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Fotografias de Bianca Muzzillo e algumas contribuições de Sandra M. Martins.

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A proposta é simples: levar livros para oferecer gratuitamente ao público que frequenta a feira. São pessoas que podem comprar livros, você pode estar pensando. Mas são principalmente pessoas que, se param diante de nossas caixas e se interessam em levar livros para casa, devem gostar de ler. Se gostam de ler, têm livros em casa. Se têm livros em casa, podem doar alguns para a Freguesia. Entendeu a ideia? E foi muito bom ver como todos apóiam a iniciativa e repensam seus acervos parados em casa…

Fotos de um dia lindo, feitas pelo fotógrafo Munir Bucair Filho, que passou o dia lá conosco, sob chuva e sol escaldante.

Fotos Controversos Fauxtografos

Esse post participa do 5o BookCrossing Blogueiro, promovido pela Luma do blog Luz de Luma. Nesse post você pode conhecer essa iniciativa que convida a todos a libertarem seus livros esquecidos e presos em estantes. O que a Freguesia fez na feira do Alto da Gloria – Curitiba, foi um grande BookCrossing!

Você também pode participar desse movimento: mande livros para a Freguesia do Livro ou entre na página do BookCrossing no Facebook, escolha um livro e liberte-o em algum lugar onde possa ser encontrado e apreciado por outro leitor.

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A Freguesia está ficando espalhada e famosa. Você que nos acompanha, que doa livros, que cria pontos de leitura nos lugares que frequenta, faz parte dessa história.

Livros que andam por aí

Disseram que “tudo” ia parar na internet. Uns desmontaram suas bibliotecas. Outros reagiram criando espaços para a leitura.

30/09/2012 | 00:06 | DIEGO ANTONELLI E JOSÉ CARLOS FERNANDES

Aconteceu em 2009. Um grupo de moradores da Vila das Torres, zona de ocupação das mais antigas de Curitiba, se deu conta da quantidade de livros encontrados no lixo recolhido pelos carrinheiros. Estima-se que a reciclagem ocupe 30% dos cerca de 8 mil habitantes do local. Foi essa gente, a seu modo, que reuniu o primeiro milheiro de títulos, colocou numa sala emprestada por José Francisco Sanches, o Baleia, chamou as crianças para ver e se tornou um assunto sem fronteiras. A Biblioteca Comunitária da Vila das Torres virou um símbolo da cidade.

Pudera. Nesses tempos velozes em que muitos adiantaram que os livros de papel morreriam, os mesmos livros chamaram atenção para uma vila mais conhecida pelo noticiário policial. Comovidos, muitos levam cestas de romances e gibis até lá, engrossando o acervo que beira os 2,5 mil exemplares. A turma da Torres não ficou imune ao acontecido. Fala com orgulho da biblioteca.

Na balança

Analistas indicam os melhores espaços de leitura

A série Leitura na Prática perguntou a cinco especialistas o que faz de um espaço de leitura um espaço adequado. Foram consultados o arquiteto Manoel Coelho; a educadora Margareth Fuchs; a pesquisadora Elisa Dalla Bona; a biblioteconomista Suely Ferreira da Silva, e a presidente do Conselho de Biblioteconomia do Paraná, Marta Sienna.

“A biblioteca tem que ser algo encantador, onde as pessoas possam se encontrar, bater papo sobre os livros. Participar de projetos, de encontros com escritores”, observa Elisa Dalla Bona. Este é tom da conversa. Foi-se o tempo do silêncio de velório e dos livros guardados a chaves. Espaço que se preste à leitura garante a paz e a ordem, mas também dinamismo, estímulo e garantia de que ali nenhum dia é igual ao outro.

Entre os espaços citados pelos entrevistados como modelares se destacam a Biblioteca Pública do Paraná, pela grandeza do acervo e por garantir o encontro dos usuários com grandes autores; A Biblioteca da Universidade Positivo, que tem arquitetura arrojada e é aberta à comunidade vizinha; E a Biblioteca da Vila das Torres, símbolo da resistência da leitura na capital.

Curiosidades

Minibibliotecas pelas praças

Em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, foram instaladas pela Secretaria de Cultura cinco minibibliotecas pela cidade. O projeto funciona desde o dia seis de setembro. Cada minibiblioteca tem um acervo de 30 títulos, sendo 10 infanto-juvenil, 10 infantil e 10 de literatura adulta. Os acervos são verificados a cada 15 dias por funcionários da Divisão de Literatura, para avaliação dos pontos e possível renovação e reposição de acervo. Os empréstimos são realizados sem a burocracia habitual de preenchimento de fichas ou cadastros – funciona na base da confiança de que a pessoa irá devolver a obra.

As bibliotecas estão disponíveis na Praça João Paulo II (em frente à Câmara Municipal), na Praça Doutor Vicente Machado e na Praça São Vicente de Paulo. Também existem os espaços na Unidade de Saúde do Tupy e no Núcleo Integrado de Saúde (NIS III).

Informações pelo telefone da Divisão de Literatura: (41) 3905-6065.

Viagem literária

Em Avaré, no interior de São Paulo, há o projeto “Embarque nessa viagem”, idealizado pela prefeitura, que disponibiliza livros na rodoviária. A ideia do projeto é fazer com que o usuário aproveite o tempo de espera do ônibus para ler. A meta é incentivando o hábito da leitura. A atividade começou no mês de agosto e se manteve em setembro. Ela será realizada durante três dias dos meses de outubro, novembro e dezembro. A pessoa pode ler os livros no local, levar para a casa com devolução no mês seguinte ou, levar o livro sem precisar devolver, como doação.

Anatomia das bibliotecas

Iluminação. Um café. Um convite para quem entende dos livros dar uma palavrinha. Os espaços dedicados aos livros podem sim perder a sisudez e ganhar adeptos.

Analistas mostram como e por quê. Leia.

O espaço hoje funciona no Clube de Mães e atraiu um voluntário tão inspirador quanto a biblioteca. Maicon Arruda, tem 21 anos, cursa Odontologia e gasta a maior parte do seu tempo na lida com os livros. É da vila. Calcula ter catalogado 1,5 mil títulos, nas horas vagas, porque nas “horas gordas” o que faz mesmo é ajudar a piazada da região nas lições de Matemática. Também faz contação de histórias. E dá conselhos aos candidatos à literatura.

Ainda chegam livros do lixo – o que explica a excentricidade do acervo. Está ali uma edição de O Capital, de Karl Marx, e a biografia de Obama, escrita por David Remnik. O que não para nas estantes, contudo, é a série Crepúsculo. E o título do coração de Maicon, O segredo, de Rhonda Byrne, que indica sempre que consultado pelos 30 usuários dia que atende. “Tem quem não saiba ler. Com esses eu sento, abro um livro de imagem e vou conversando”, conta o jovem que lembra figuras como Otávio Júnior, criador da “barracoteca” do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro.

A Biblioteca Comunitária da Vila das Torres é o exemplar mais famoso de um movimento informal que varre as cidades – o de culto aos espaços alternativos de leitura. São incontáveis. Há quem transforme saletas de prédios em espaços para ler – como o fotógrafo Alberto Viana [assista vídeo]. E quem se ocupe de dividir todas as sobras de livros por lugares onde possam ser reaproveitadas. É o caso de Josiane Mayr Bibas, 52, e Ângela Marques Duarte, 51, há um ano à frente da Freguesia do Livro.

O projeto nasceu por acaso. Depois de 25 anos atuando como fonoaudiólogas, as duas decidiram doar o acervo de livros infantis que guardavam nos consultórios. Desembarcaram com as caixas na Vila Zumbi, em Pinhais. “Tudo cheirozinho e arrumadinho”, como lembra Ângela. Foi quando descobriram que sabiam muito pouco sobre a realidade de lugares em que o livro é um luxo, e que por isso mesmo, sem a ação dos mediadores, estavam muito próximos do lixo. “A primeira experiência foi meio autofágica”, diverte-se.

Ouvi-las falar da aventura que viveram é uma escola. Não pararam mais de reunir exemplares descartados. “Um dia alguém dizia – ‘preciso abrir espaço nesta sala’ – e lá estávamos nós, carregando enciclopédias”, lembram. Josiane teve a ideia de oferecer na internet os livros sob sua custódia. Surpresa. Pensava que viria um pedido do Cajuru, mas recebeu um pedido de Xapuri, no Acre. “Viramos aquelas pessoas que ao saber que alguém vai viajar perguntamos se podem levar uma caixa de livros…”

Não pensem em caixas molambentas, com o fundo caindo. São caixotes reciclados, com a logo da Freguesia. Os livros estão bem apanhados e selecionados, a depender do interesse do freguês. Uma escola de inglês adorou a seleta que a dupla preparou. Do contrário, os livros cairão em desgraça. Alguém quer Dale Car­negie de 30 anos atrás? Elas têm.

Não é difícil prever que a iniciativa toma todas as tardes das idealizadoras. Marcam tudo num mapa. Calculam ter enviado caixas de livros a 50 lugares pelo menos. Planejam agora ir a feiras e praças e pousadas. E seguem com o atendimento ao Eco Cidadão, nos quais instalaram velhas Barsas para carrinheiros. “Quem disse que não servem mais?”, desafiam. Abandonada, só a ideia de comprar um ônibus, enchê-los de livros, levando às últimas instâncias o espírito de Thelma e Louise. De resto, não lhes falta estrada. “Vamos a lugares que sequer imaginávamos existir. A gente liga o GPS e pronto”, conta Josiane.

O poder público parece ter passado por febre semelhante à da Freguesia. Há dois anos, a Fundação Cultural de Curitiba criou 15 espaços inusitados de leitura. São o que há. Funcionam em terminais de ônibus e não raro em formatos que afugentam o pior inimigo do livro – a indiferença.

Não é a única qualidade do programa. Os acervos são seletos. E os atendentes – alçados ao status de mediadores de leitura – estudam em universidade e são leitores confessos. “Eu me sinto formando gente para o livro. Mesmo quando ouvi gritos de um passageiro horrorizado com o Caio Fernando Abreu”, lembra a acadêmica da Letras da UFPR Hellen Suzy Santos, 20. Ela atua no Espaço de Leitura do Terminal do Pinheirinho. Inesquecível? O morador de rua que lê para o pai na carreira de rodas. “Ele me vê e grita: ‘Ô moça da leitura’. Quer mais?”

O texto na íntegra no site da Gazeta do Povo está aqui. E outro link que leva para nosso trabalho é esse. Só é preciso complementar que Ângela e eu fazemos parte de uma equipe composta ainda por Mari Mayr, Dani Carneiro, Juliano Rocha e nosso assessor para assuntos aleatórios, Marcelo Muzzillo. Sem esse apoio, esse trabalho não andaria. E sempre tem lugar pra mais um!!

E esse vídeo é o que é citado na matéria. Vale a pena ver!

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Veja na íntegra a reportagem sobre a Freguesia do Livro na Gazeta do Povo:

Livros à caça de novos leitores

Por Ellen Miecoanski

Daniel Castellano/ Gazeta do Povo / O catador Francisco Joel de Almeida é um dos entusiastas do programa Freguesia do Livro

O catador Francisco Joel de Almeida é um dos entusiastas do programa Freguesia do Livro

CULTURA

Livros à caça de novos leitores

Bibliotecas comunitárias fazem obras literárias transitarem por diversas mãos e cativam usuários. Entre eles, catadores de Curitiba

Era apenas uma ferramenta de trabalho até que um dia os livros viraram uma nova ocupação. Sem querer ganhar dinheiro com isso, Josiane Mayr Bibas, Maria Luiza Mayr e Ângela Marques Duarte têm um objetivo em comum: tirar os livros parados nas estantes alheias e fazê-los circular por muitas mãos. Para isso, elas transformam caixas de frutas e livros usados em bibliotecas comunitárias, em que qualquer pessoa pode se converter em leitor.

O projeto Freguesia do Livro começou quando as apaixonadas por leitura Josiane e Ângela decidiram abandonar os consultórios de fonoaudiologia para viver outras experiências. “Como usávamos os livros nas consultas, tínhamos bastante. Resolvemos montar uma biblioteca comunitária na Vila Zumbi, em Colombo, em fevereiro do ano passado”, conta Josiane. Para manter esse espaço, as duas passaram a pedir doações para colegas e amigos. “Vieram muitos livros e resolvemos montar mais bibliotecas.”

Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo

Freguesia

Além de levar publicações para os catadores dos EcoCidadãos, o projeto Freguesia do Livro possui outros programas. Confira quais são:

Recicla Cultura

Além das caixas de frutas, as artesãs confeccionam bolsas retornáveis para carregar livros e compras, aproveitando banners usados; lápis de pinhão feitos a partir de restos de giz de cera; e blocos e cadernetas reaproveitando cadernos usados.

Transporte uma Freguesia

Apesar de ser voltado para Curitiba e região, com a divulgação do projeto Freguesia do Livro na internet, pessoas de outros estados solicitam as caixas ou oferecem doações. Para fazer o transporte desse material, o projeto conta com a mobilização de viajantes voluntários.

Freguesia do Livro nas Comunidades Rurais

Localiza pessoas interessadas em iniciar bibliotecas comunitárias em áreas rurais. Para isso, disponibiliza uma caixa com livros e ajuda na montagem do espaço.

Serviço

Se você deseja colaborar com algum desses projetos ou montar um ponto de leitura, entre em contato pelo e-mailfregues@freguesiadolivro.com.br ou acesse o sitehttps://freguesiadolivro.wordpress.com/.

Dê a sua opinião

Como você avalia essas iniciativas para estimular a leitura? Conhece outra ideia semelhante? Como ela funciona?

Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.

Em março deste ano, a administradora de empresas Maria Luiza se juntou ao grupo e as três, que também são artesãs, passaram a personalizar caixas de frutas com a marca do projeto. Dentro são colocados de 30 a 40 livros que ficam disponíveis em estabelecimentos comerciais e empresas. “Trabalhamos com o conceito de livro livre para estimular a leitura. A pessoa encontra [o livro] numa caixa, pega, lê e leva para outra pessoa ou lugar. Não existe carteirinha e nem data de devolução”, explica Josiane.

EcoCidadão freguês

Com diversas linhas de atuação, o Freguesia também chega aos EcoCidadãos, programa da prefeitura de Curitiba que ajuda na organização de materiais recicláveis coletados na cidade. Hoje são sete barracões atendidos, mas outros já estão em processo de implantação. “Fazemos um contato anterior, explicamos a ideia e levamos a caixa. A gente explica para os catadores como é que funciona e eles acham ótimo”, fala Josiane.

A aproximação dos dois projetos surgiu depois que um casal de voluntários do Freguesia foi a um dos galpões do programa municipal para levar publicações que estavam em péssimas condições e não poderiam mais ser aproveitadas. Naquele dia, uma das catadoras se encantou por um dos volumes e perguntou se não tinha outro livro da Clarice Lispector. Pronto, foi a inspiração para o Freguesia construir mais um capítulo em parceria com a Aliança Empreendedora, entidade responsável pelos EcoCidadãos.

Um dos entusiastas do projeto é Francisco Joel Teixeira de Almeida, 53 anos, um dos associados na Catamare, EcoCidadão localizado no Rebouças. “Acho essa ideia maravilhosa, linda. O que a sociedade precisa fazer pelas pessoas com menos condições financeiras é dar esse outro alimento, que é a leitura.” Na Catamare, a caixa do Freguesia do Livro está há pouco mais de um mês, mas já desperta bastante a curiosidade dos catadores. “Eu acho fantástico eles levarem livros para a gente. Acho que isso convence as pessoas a lerem mais. Duas colegas já pegaram livros e levaram embora para ler, fiquei tão feliz com isso”, conta Almeida.

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