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Archive for abril \26\-03:00 2012

Esse post está aqui para apresentar o que a Freguesia do Livro fez nos últimos dois meses, quando resolvemos ampliar nossa atuação. É  a nossa história dos livros que vão continuar contando suas histórias.

Biblioteca no Projeto Crescer –  Instituição que oferece atividades de contra-turno para crianças que vivem em área de risco social. Iniciamos na Vila Zumbi, Curitiba, em 2o11.

Na Biblioteca Livre Pote de Mel. Levamos alguns livros para contribuir com essa ideia que muito nos inspirou. Curitiba.

A Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa. Parceiros. Amigos. Um lugar para onde vale a pena mandar livros. Morretes/PR.

Livros para o Instituto Nauru, uma ONG que abriga meninos de 8 a 18 anos em situação de risco pessoal e social, em uma família alternativa .

Para o Praia Secreta – Rafting e Expedições, que também faz um trabalho de treinamento empresarial e recolheu doações de livros sobre Liderança. A Freguesia ajudou.

Caixa com livros para os funcionários da Ingrax – Indústria de graxas. Em Curitiba e na sede do Rio de Janeiro.

Em um salão de beleza. Curitiba.

Livros para o Amigo Livro, iniciativa recente em Guaratuba/PR.

E para a Escola Rural Municipal de Anhaia e Escola Rural Municipal de Rodeio. em Morretes/PR.

Hospital Erasto Gaertner – Curitiba. Daqueles lugares onde os livros fazem grande diferença.

Para os funcionários da Gráfica Comunicare, parceira nos nossos impressos.

Na Aliança Francesa – livros didáticos e de literatura em francês. A Aliança, por sua vez, oferece os livros gratuitamente aos seus alunos. Livros em movimento.

Todos os pontos de leitura citados anteriormente têm como característica a total disponibilização dos livros, porque a intenção é estimular esse contato. Essa semana começamos também a colocar pontos de leitura em lugares frequentados por um  público já leitor, com a proposta “Leve um livro. Deixe um livro“.

No MI+x Café e Arte. Entre. Tome um café. Leve um livro. Traga um livro. Em Curitiba. Também é Ponto de Coleta.

No Guiolla Hamburgueria Gourmet. Virou Ponto de Leitura. E Ponto de Coleta. E com evento de troca de livros!

Para finalizar: temos muitos cadastros para novos Pontos de Leitura. Para isso, doações de livros serão sempre bem-vindas.

Alguns desses cadastros vêm de lugares distantes de Curitiba, como Acre, Rondônia, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Esperamos sensibilizar transportadoras, agências dos Correios ou iniciativas próximas a esses locais para que os livros cheguem onde são desejados e necessários. Se você, que nos acompanha, tiver alguma boa idéia, por favor, ajude-nos a levar livros para outros lugares do Brasil.

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Biblioteca livre, para a Freguesia do Livro, é aquele lugar que vai deixar livros disponíveis para uma clientela, uma comunidade, um grupo de pessoas que o frequentam. É o que chamamos de Pontos de Leitura.

Biblioteca porque tem livros, livre porque o freguês pode pegar o livro sem fazer ficha, sem ter prazo para devolver, sem multa na devolução. Na moral. No fio do bigode. Ninguém controla, só o próprio leitor que, esperamos, sensibilizado pela iniciativa e pela mensagem que encontrará dentro de cada volume, sentirá que devolver, trocar ou passar aquele livro adiante é um modo de investir na cultura.

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É bom para quem quer doar livros e quer ter certeza de que terão um bom destino. É bom para quem encontra um livro nos Pontos de leitura e o leva para casa, pois pode ficar com ele o tempo que for necessário, pode emprestar para amigos e pode trazer outros para contribuir com a ideia. É bom para o local que disponibiliza os livros, pois estará oferecendo mais um serviço a seus clientes ou funcionários e participando de um movimento literário sem que isso lhe traga qualquer inconveniente. E é bom para os livros, que terão saído de estantes silenciosas para serem apreciados mais e mais vezes.

Só temos um desejo, que acompanha o da liberdade: o da auto-sustentabilidade. Esperamos que os usuários de cada ponto de leitura percebam que podem colaborar com livros de suas casas e que abasteçam continuamente essa circulação.

Quer ter um Ponto de Leitura em sua instituição, empresa ou estabelecimento comercial? Cadastre-se aqui.

Quer se inspirar e ver os locais onde temos Pontos de Leitura? Entre aqui.

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Os livros que Juliette nos mandou da Holanda finalmente acharam a sua morada. Queríamos um lugar onde os livros preparados com tanta dedicação por essa forte defensora do poder da leitura na vida de uma criança, chegassem a um lugar a altura. Chegaram. No Hospital Erasto Gaertner, aqui em Curitiba, que trata pacientes com câncer. Levamos para o Hospital os livros infantis que vieram da Holanda e aproveitamos e fizemos uma caixa com livros para adolescentes também.

Rosana, uma das voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer que levam seu apoio pelo hospital afora com seu jaleco cor de rosa e uma simpatia contagiante, nos recebeu na portaria e juntas carregamos nossa preciosa carga literária em um carrinho de supermercado.

Topamos com uma dupla especial, mais gente que sabe que existem mil maneiras de fazer algo de bom pelos outros: os palhaços da Trupe da Saúde. Um deles estava muito charmoso, com um piercing de girafa na orelha…

Brincadeiras à parte, quem acompanha a Freguesia do Livro sabe que, apesar de já estar há mais de um ano no Projeto Crescer da Vila Zumbi, ainda nem completou 2 meses de atuação no movimento de livros. E hoje tudo valeu a pena. Levamos livros lindos para crianças e jovens que precisam distrair a espera pela saúde merecida.

Para aqueles que têm nos doado livros e portanto fazem parte dessa entrega ao Hospital, OBRIGADA.

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A Freguesia do Livro está participando do BookCrossing Blogueiro proposto pelo Luz de Luma. Para quem não sabe, o movimento BookCrossing propõe que a gente perca livros por aí. Perder no bom sentido, a ideia é que livros sejam compartilhados.

Aí ficamos aqui pensando que a Freguesia do Livro é um BookCrossing tamanho família. Provocamos  amigos e conhecidos para que reavaliem seus acervos e se conscientizem que livros nasceram para serem lidos, não apenas por seus proprietários, mas sim pelo maior número de pessoas possível. Aliás,  livro não combina com posse, ter um livro guardado silencioso em estantes para sempre é um tipo de egoísmo, de prisão para tudo o que aquele volume contém.

Assim, temos recebido livros. De amigos, de gente que conhecemos e de pessoas que nunca vimos. Todos exercitando o desapego.

Nem sempre é fácil doar livros...

Até livros da Holanda recebemos!

A Freguesia liberta livros. Recebe os livros que nos doam e os encaminha para lugares improváveis. Tropeçar em livros disponíveis ajuda. Opa, uma caixa de livros aqui… Livro que posso levar e trazer quando puder, ou que posso entregar para outro leitor… Vou levar, porque não?

Nossa biblioteca na Vila Zumbi

Uma parceria importante com os idealizadores da Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa, em Morretes. Idealistas que fazem acontecer.

Biblioteca Comunitária Sitío Vanessa. No meio da Mata Atlântica.

Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa

No refeitório de uma indústria de lubrificantes.

Em um salão de beleza.

O movimento BookCrossing sugere que dentro do livro seja colocada uma mensagem que explique que aquele livro largadinho em algum lugar pretende ser lido por alguém, é um ato de generosidade que deve ser respeitado. Os livros que a Freguesia do Livro solta por aí levam esse adesivo:

Mas para ficar bem no espírito do BookCrossing, veja aqui um livro perdido no aeroporto de São Paulo e encontrado em Nova Iorque no dia seguinte. Uma coincidência e tanto!

Participe da Freguesia do Livro. Doe livros. Tenha um ponto de Leitura onde colocar livros para outros leitores. Nós ficamos muito felizes!

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É uma boa ideia, calma. Que tal se juntar a nós numa proposta simpática e simples? Pedágio Literário.  Vai receber amigos para um jantar? Peça que cada um traga um livro de casa para doar – já lido, esquecido e abandonado num canto, é até um favor. Marcou um lanche com as amigas em um café charmoso? Pede um livro de cada. Vai reunir a turma da faculdade para um happy hour? Solicitação de doação de livro neles! Está organizando um evento e não aguenta mais pedir lata de leite em pó ou alimento não perecível? Varie, peça que tragam um livro ou revistas em quadrinhos.

Todo mundo tem um livro que pode doar sem dor, mas nunca parou para pensar nisso. Com uma ideia tão simples, quem sabe a pessoa não vai até sua estante de livros e percebe que mais de um livro poderia sair dali para ir visitar novas paragens…

E o que fazer com os livros que você arrecadar? Manda para nós! A gente distribui para novos leitores.

Pratique o Pedágio Literário e depois conte suas experiências para nós. Pode render boas histórias que publicaremos aqui!

Esse post participa do BookCrossing Blogueiro do Luz de Luma. No blog encontrei essa texto que combina muito com o jeito que a Freguesia do Livro pensa:

“Lembre-se que deixar um livro fechado tem o mesmo valor de folhas em branco. Não deixe que histórias, reflexões e conhecimentos se enclausurem.”

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Carlos topou na hora: quer ir contar histórias na biblioteca que montamos e acompanhamos há um ano na Vila Zumbi? Nem pensou duas vezes. Munido de seu guarda-chuva, alguns livros para doar para nosso espaço, lá veio ele, cheio de histórias para encantar a criançada. Em uma comunidade em que a leitura se apresenta pouco valorizada, temos nos esforçado para mostrar aos meninos e meninas que ler pode ser, antes de tudo, divertido. E Carlos nos ajudou nessa empreitada.

Lembramos que a biblioteca formada na Sociedade Crescer, na Vila Zumbi, região metropolitana de Curitiba, constitui-se toda de livros doados. Livros como os que esperamos que você nos doe para que possamos criar mais espaços como esse.

Carlos Daitschman é um contador de histórias que vale a pena conhecer. Se quiser que ele venha contar  histórias adequadas a públicos de qualquer idade: ocontadorde@hotmail.com

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Ilustração  de Colin Thompson, no Rincòn del Libro.

Texto de Juliette Fernandes.*

Para você que gostou da iniciativa das criadoras da FREGUESIA DO LIVRO e quer fazer, de algum jeito, parte desta corrente, aqui vão algumas dicas.

Os livros estão se acumulando na sua estante?? Faça-os circular, faça-os ganhar vida. Como? DOANDO. Livro parado é um livro morto e tristinho.

Está aposentado ou tem um tempinho livre na sua agenda apertada? Que tal ser voluntário por algumas horinhas em uma creche ou escola e ler para as crianças? A imaginação delas vai voar e você pode, neste momento de encantamento, ensinar tantas coisas…você vai ver o alcance da leitura.

Você também pode pegar alguns livrinhos e ler para crianças internadas em hospitais. Muitas pessoas fazem isso, mas ainda temos muitas crianças entediadas em camas de hospital. Ouvindo as historinhas elas viajam.

Sabia que muitos presídios estão criando bibliotecas e incentivando a leitura entre os detentos? Sabia que o maiores beneficiados somos nós? Sim, porque se alguém muda sua maneira de pensar, de ver a vida (e livro tem este poder), pode voltar melhor para a sociedade. O livro anda modificando mentes, principalmente nos presídios femininos onde a procura por leitura é maior. Ahh, mas eu vou doar livro para quem agiu errado com a sociedade?? Sim, se a intenção é ter pessoas melhores andando por aí depois que forem libertadas.

Espaço Troca-Livro. Quando trabalhei na Secretaria de Educação de São Bernardo do Campo tínhamos um espaço onde a população podia levar e pegar livros, inclusive didáticos. Eu doei muitos e todo começo de ano eu ia ao espaço com a lista de livros da escola do meu filho, levava os antigos e garimpava os novos, que não eram novos e sim usados, mas representavam uma grande economia no orçamento. Fica aqui a dica para as mães se organizarem e trocarem livros no começo do ano letivo em algum espaço, não esquecendo de levar também os não didáticos.

Conhece alguma comunidade carente onde as crianças passam a maior parte do tempo ociosas? Faça um movimento, arrecade livros, pense em uma maneira dessas crianças terem acesso aos livros. As ideias virão e as parcerias também. A Freguesia do Livro está aqui para te ajudar.

Como vocês podem ver, o fato de morar em outra “freguesia” não significa que nada pode ser feito. Afinal, em cada cidade, em cada estado, em cada cantinho tem alguém esperando para ser mais feliz, e livros têm este poder: livro liberta, livro fortalece.

* Juliette é mora em Florianópolis-SC.

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O que você verá aqui é o relato da primeira ação da Freguesia do Livro. 

Freguesia do Livro

A Ângela tinha muitos livros infantis na sua vida, teve uma idéia e eu entrei de carona. Quem sabe você também não se anima?

Aos fatos: a Freguesia do Livro é uma iniciativa de pessoas interessadas em dar acesso aos livros a uma população pouco estimulada em relação à leitura. Instigando o hábito de ler e ampliando o gosto pela leitura em si, levará crianças e jovens à descoberta deste prazer.

Queremos um movimento cultural que interligue livros que estão esquecidos em prateleiras com crianças e jovens que poderão ser apresentados ao mundo da leitura, respeitando seus focos de interesse.

Freguesia do Livro vai estabelecer sua biblioteca na Sociedade Crescer, sob responsabilidade de nossa amiga Maria Izabel Valente, na Vila Zumbi em Colombo, perto de Curitiba. Este projeto existe desde 1994 e é hoje um local que oferece atividades no contra-turno escolar, promovendo o convívio e desenvolvimento de cerca de 160 crianças e jovens que se encontravam em situação de risco social. Este atendimento diário oferece refeições, atividades pedagógicas, esportivas, cívicas e artísticas.

Acreditamos que livros devem circular, levar a sua história para mais de uma pessoa, para mais de uma casa. Construímos nosso acervo a partir de doações de interessados em contribuir com a nossa proposta. Este movimento precisa ser estimulado e promovido!

Você está convidada/o a participar desta nossa iniciativa! Olhe para os livros infanto-juvenis que estão guardados em suas estantes e pense que eles podem levar informação, lazer e fantasia a muitas crianças que poderão aprender a ver o mundo de uma nova maneira.

Ângela & Jô

A festa já começou! Participe!

Quer ajudar? Nos doe seus livros que estão quietinhos em um canto da sua casa. Mande um comentário que a gente se ajeita.

E veja aqui a Freguesia entrando em movimento.

 

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As bibliotecas são livres, o empréstimo é facilitado e acessível, sem enrolação ou burocracia, e cada uma tem um sistema bem parecido. Conheça as bibliotecas livres de Curitiba e Morretes.

Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa em Morretes. Temos um caderno de empréstimos, onde os leitores colocam o nome e o título do livro que emprestaram. Fizemos esse caderno com a intenção de que o leitor firmasse um compromisso com a devolução, visto que até então não existia nenhuma biblioteca na Estrada do Anhaia, e ninguém é obrigado a estar familiarizado com as normas de funcionamento de uma biblioteca, quando não se tem nenhuma por perto. Fizemos o caderno também para conhecer quais os livros que seriam os mais emprestados e queridos pelos leitores. Com o passar do tempo, percebemos que os leitores adotaram a biblioteca de braços abertos e os empréstimos passaram a ser praticados de uma maneira tão habitual, que até mesmo o caderno ficou livre, assina quem quer. Seguem as orientações de funcionamento que temos em nosso carimbo:

“Esse livro faz parte do acervo da Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa. O livro pertence à comunidade. Fique com ele o tempo necessário para sua leitura e cuide como se fosse seu. Por gentileza não escreva, não rabisque, não use marcador de texto nesse livro para que o próximo a emprestá-lo tenha uma leitura tão agradável quanto à sua. Se encontrar esse livro em uma biblioteca particular, faça-o circular, leia, empreste para alguém que ainda não leu ou devolva para a Biblioteca do Sítio Vanessa. Traga o livro de volta, assim você poderá emprestar outro. Conte para alguém que você gosta sobre o que leu nesse livro e que todos podem conhecer e emprestar livros na Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa”.

Biblioteca Livre Pote de Mel no Centro de Curitiba: 

“Leve este livro para onde quiser durante o tempo necessário; Cuide dele. Depois de ler, devolva; Este livro não deve pertencer a ninguém; Se ele estiver em prateleira particular, leve-o, leia-o, passe-o adiante ou devolva à Biblioteca Pote de Mel; Se quiser, doe um livro para a Biblioteca Pote de Mel”.

Freguesia do Livro, movimento lítero-libertário que tem uma biblioteca na Vila Zumbi e um ponto de leitura em Colombo, região metropolitana de Curitiba, além de fornecer livros para diversas bibliotecas comunitárias: “Esse livro faz parte de uma corrente literária. Depois de ler, devolva ou passe adiante”.

Minibiblioteca de Curitiba no Água Verde em Curitiba. “Livros não devem ficar guardados, devem circular e levar conhecimento ao maior número de pessoas possível. Se você tem livros que já leu, traga para cá. Se você deseja ler algum livro leve e se possível devolva para aumentar nosso acervo caso contrario repasse para outra pessoa interessada. Boa leitura!”


Biblioteca Ice Book no Jardim das Américas em Curitiba: O empréstimo é feito na hora após o leitor deixar o nome e o título do livro, além de um contato telefônico em um caderninho de empréstimos. Empréstimo livre, o leitor só precisa devolver quando terminar de ler.

Você conhece mais alguma biblioteca que esteja promovendo empréstimos livres pela cidade? Ajude-nos a mapeá-las. Deixe um comentário no blog ou escreva para bibliotecadositio@gmail.com

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Esse blog fala tanto em doação de livros que às vezes é bom a gente lembrar: somos simplesmente apaixonados por livros. E por isso nos empenhamos para que eles possam alcançar outras pessoas que gostariam de ter contato com eles e, por tantos motivos, não conseguem ou não podem. Dito isso, recordamos: leia muito e doe o que não vai ler mais!

A combinação cama e abajur é imbatível.

 
E como um abajur em geral precisa estar apoiado em um criado-mudo (ou criadomudo?), convidamos à leitura desse texto do Mario Prata.
O criado-mudo
Tudo começou quando resolvi me mudar do décimo para o quarto andar, aqui mesmo, neste edifício da Alameda Franca. Um carrinho de supermercado seria  o suficiente. Queria fazer lá embaixo um lar, já que isso aqui virou um  vício.E, como todo vício, tesão!Lá no quarto andar, tem quatro apartamentos.Eu não conhecia ainda os vizinhos quando o fato se deu. Passei o dia  levando coisas lá para baixo. Há dois dias faço isso, ajudado pela Cristina.Uma das últimas viagens e lá ia eu com a Cris ao lado, descendo pelo elevador. Carregávamos o criado-mudo. O criado-mudo tem uma gavetinha.Quando a porta se abriu, havia duas famílias esperando. Meus vizinhos.

Pai, mãe, crianças e até uma avó. Foi quando eu estendi o braço para me  apresentar como o novo vizinho que tudo aconteceu. E foi muito rápido.

Muito. Quando eu tirei a mão do movelzinho para cumprimentar aqueles que  agora são meus vizinhos, a gavetinha deslizou. Eu ainda tentei uma gingada  com o corpo pra ver se evitava a catástrofe, mas não adiantou. A filha da
puta estava indo para o chão, lisa como quiabo.

Estava indo para o chão com tudo dentro. E não existe nada mais indiscreto  que uma gavetinha de criado-mudo de um homem que mora sozinho. Ou mesmo  que não more. Ali você vai jogando coisinhas, papéis. Coisas, enfim.

Coisas que só têm um destino na vida: a gavetinha do criado-mudo.

Entre a danada escapar do móvel e esparramar tudo pelo chão, não devem ter sido nem dois segundos. Mas estes dois segundos foram sofridos. Neste pedacinho de tempo tentei, em vão, me lembrar do que era que tinha lá  dentro e, consequentemente, toda a vizinhança ia ver. Além da Cristina.

Não deu outra. A gaveta caiu de quina e tudo voou. E voou tudo de cabeça pra cima, tudo querendo se mostrar. Ar livre. Há quanto tempo aquilo tudo não via a luz do dia, já que ficavam debaixo do abajur lilás? E não ficou tudo amontoadinho, não. O material se esparramou legal pelo hall. Diante do que vi no primeiro bater de olhos, a idéia foi pular em cima e cobrir tudo com o corpo até todo mundo sumir dali.

Sim, na gavetinha do criado-mudo a gente joga tudo. Pelos meus cálculos, devia ter coisas ali dos últimos cinco anos. Que, é claro, eu não saberia dizer. Eu não tinha idéia do que é que estava indo para o chão e aos olhos da vizinhança estupefata.

Um pedaço da minha vida estava ali, no chão, sujeito à visitação pública.

Uma vergonha.

 E o pior é que não dava para pegar tudo de uma vez. Teve pilha que rolou escada abaixo. Moedinhas rodopiavam sem parar, fazendo aquele barulhinho.A primeira coisa que a Cristina recolheu foi um par de brincos douradérrimos. Que não eram dela. E eu não ia explicar ali que eu não tinha a menor idéia de quem fossem. Podiam estar ali há cinco, seis anos.As crianças olharam para três camisinhas e deram-se sorrisos cúmplices.Não foi bem este o olhar da Cris.Aquele pequeno despertador quebrou o vidro. Estava parado às 10 e 10 do dia 23, sabe-se lá de que mês ou ano. Três edições da Playboy. Velhas. Uma da Tiazinha. Constrangimento. Pra minha sorte, bem ao lado caiu a História da Filosofia, de I. Khlyabich. E o livro daquela jovem namorada do Sallinger, do Apanhador no Campo de Centeio. Amenizou um pouco. Trata-se de um masturbador de campo de pentelhos. E as camisinhas eram de 98, tava escrito lá. Limpou um pouco a barra. Um pouco. Sim, por outro lado, mostrava que desde 98 que eu… Deixa pra lá.Tinha o menu da minha aula de culinária de março. Naquele dia aprendi a fazer crepe de pancetta e brie, com a professora Bia Braga, junto com o Frei Betto, aluno também. Tinha procurado tanto o Guia de Acesso Rápido do celular. Tava lá. Agora eu ia aprender a apagar os telefones vencidos da caixa.
Meu Deus, o que é aquilo no pé do garoto? Viagra! E o filho da puta pegou e mostrou para o pai, que me olhou com pena, com dó: tão jovem…Tive que dar explicações: – Hehe, é o Jair, que é do 103, psicanalista, amostra grátis, aí. Tem dois…Já ia dar uma explicação da experiência que tinha tido com o que não estava mais ali, mas achei que os pais não iriam ouvir de bom grado, diante das crianças. Viagra é a maior sujeira, posso te garantir. Acho que não convenci ninguém. Cris, com os alheios brincos na mão, escondeu o Viagra. Vexame total. Mas isso era só o começo da minha vida esparramada no chão de mármore.- A conta da compra do computador que eu dei para a minha irmã.- Duas pilhas Duracell que jamais saberemos se estão boas ou já usadas.Esse problema de pilhas soltas me enlouquece.- Sabe aquelas moedinhas de orelhão que não funcionam mais? Várias.

– Uma foto minha com a atriz Manoella Teixeira, abraçados na porta do Ritz

(isso foi há dois anos, fui logo explicando).

– Uma cartela de Lexotan, uma de Frontal e uma de Zoloft. Pronto, os vizinhos não teriam mais dúvidas. Um louco deprimido se aproximava.

– Quatro canetas Bic que eu duvido que ainda funcionem.

– Uma capinha de celular que eu comprei há uns quatro anos e não serviu.

– Uma caneta dessas de marcar texto, aquela amarela, sabe? Seca, é claro.

– Um tubo de Redoxon, vencido há várias gripes.

– Um lápis sem ponta; aliás, dois.

– Um papelzinho com um telefone que jamais saberemos de quem é.

– Outro papelzinho com um telefone (procurei tanto… Agora não vai mais adiantar).

– Um benjamim.

– Um tubo (suspeitíssimo) de Hipoglós.

– Mais uma cartelinha (quase vazia) de Frontal.

– Um disquete de computador sem nada escrito nele. O que pode ter aqui?

– Um par de óculos escuros que nunca foram meus.

– Umas cinco ou seis chaves que nunca saberei que portas abrir.

– Dois tubos de KY, que quem sabe o que é pode imaginar o meu ar de sem jeito. E o cara do 43 levava jeito de saber, pela olhadinha que deu para a esposa, que ficou vermelhinha. Ela devia gostar de KY.

– Um livrinho mandado (e escrito) por um leitor, com o nome Ser Gay é Ser Alegre. Como explicar isso, de joelhos?

– E, para encerrar o meu derrame, um papel em branco com um beijo de batom vermelho, bem no meio. Tentei dizer que era da minha afilhada, Maria Shirts, mas não colou.

Fui recolhendo aquilo tudo, aqueles pedaços da minha vida e colocando de novo dentro da gavetinha. E me levantei.

Entramos em silêncio no apartamento, eu certo de que ia começar uma nova vida ali. Mas logo cheguei à conclusão de que a gente nunca começa nada, a gente continua.

Ajeitei o criado-mudo ao lado da cama. Fiquei olhando para o indiscreto móvel que eu achava mudo.

Mas que, em dez segundos, contara cinco anos da minha vida.

Mário Prata

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