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Archive for março \28\UTC 2012

Hoje tivemos uma grande alegria: a colocação de nossa primeira biblioteca livre e comunitária! Em uma gaveta reaproveitada e decorada com spray prateado e escrita com stêncil feito a duras penas, levamos para a Ingrax, uma indústria de graxas e lubrificantes na região metropolitana de Curitiba, 40 livros com temas diversificados.

A aceitação dos funcionários foi imediata, alguns livros já nem estavam mais lá quando fomos fotografar. Que eles possam aproveitar bem. Essa é a ideia!

Ok, ok. Para falar bem a verdade, essa é a nossa segunda biblioteca. A primeira e mais significativa sempre será essa, uma bela biblioteca que montamos na Sociedade Crescer, na Vila Zumbi, na qual estamos presentes desde fevereiro 2011. E onde, depois de um ano de atividades, estamos confirmando que livros, cultura e educação fazem uma grande diferença.

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Esse texto veio do blog da Silmara Franco. E tem muito a ver com a Freguesia.

Amanhã

Por Silmara Franco


                                                   Ilustração: India Amos/Flickr.com

“Contei: são seis livros novos repousados ao lado da cama, mais outro tanto, arrumadinho na estante. Adquiridos, emprestados, ganhos. Todos aguardam, pacientemente e em certa fila anárquica, minha leitura. Que inicia, avança, mas não finda. É a roda-viva do dia-a-dia, fazendo picadinho de mim. A maldição do fiado, enfeitiçando a biblioteca particular: só amanhã.

Quase sempre, vivemos, os livros e eu, algo parecido com a síndrome do mamão. Eternamente renovado na fruteira, sob os votos de papá-lo todos os dias, ele há de garantir longevidade e intestino em ordem. Já registrei em cartório: quero completar cem anos fazendo tai-chi-chuan na praia. E o fruto é protagonista do plano. Fatalmente, porém, eu o flagro apodrecendo. Ao preferir o açucarado e fácil Sucrilhos matinal, me esqueço dele. Assim é com o livro, que vive perdendo a vez para eventuais fast-leituras, lotadas de calorias e poucos nutrientes. Livro, ao menos, não estraga. Também contribui para a vida longa, põe a mente para funcionar, faz bem à pele. E, de quebra, também é cheio de sementes.

Dei para colecionar livros na (vã?) promessa de que esse, ah! Esse eu vou ler. O problema é que arrumo sarna demais para me coçar. A leitura prometida fica para o dia seguinte, mês que vem, nunca. E ‘nunca’, todo mundo sabe, não existe no calendário. Eles, os livros, vêm parar nas minhas mãos por vários motivos. Um é culpa do projeto gráfico, lindo de morrer. Outro, de um assunto que eu pre-ci-so dominar. Mais um, daquele autor que eu não perco nenhuma vogal publicada. Mais outro, porque o amigo achou que eu deveria ler, e me deu de presente. (Quase sempre o amigo está certo.) Como procuro não questionar os mecanismos (ou ordens) do universo, eu os acolho, dou-lhes as boas-vindas, apresento-lhes a estante, confiro suas orelhas, exploro até a página vinte. Ler inteiro, que é bom, necas. Em casa, a proporção entre lidos e não-lidos beira o fracasso: um para dez. Até o criado ao lado da cama, que não é nada mudo, levanta a voz para mim, vez por outra: “O que há com você?”. Não sei de qual doença padeço.

Tê-los, apenas tê-los, vistosos na estante, funciona como alívio, espécie de garantia: a de que só sua presença já fará seu conteúdo ser telepaticamente absorvido. Tornar-se proprietário de um livro dá certa paz, algum conforto, uma quase segurança. Sabe-se lá se ele, mesmo quando não é folheado, não é capaz de emanar suas letras pelo espaço, além capa, além prateleira?

Batizei um lugarzinho em meu computador, no browser, de “Para ler depois”. É lá que guardo o que vou descobrindo de interessante no oceano sem fim da web. São links de artigos, matérias, críticas, resenhas, blogs. E, como nas promessas para livro e mamão, juro retornar em breve. Sempre dou cano. Não sei ler tanta notícia.

Antes de dormir, contei de novo os livros ao lado da cama. Havia cinco. Li? Não. Marido levou um, sem avisar. Só assim. E viva o fiado”.

E por que tem a ver com a Freguesia? Porque acreditamos que ler é bom, é muito bom. E porque livros “por ler” merecem ficar esperando sua vez em nossas vidas. Já os que já lemos… podem passear por aí!

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Quem gosta de ler sabe que um livro tem dois momentos preciosos: as primeiras linhas, que atraem o leitor e abrem seu contato com a história e imprimem a relação que ali se inicia; e o final, seu desfecho  – o gosto que vai ficar na boca e na memória quando você fechar definitivamente aquele volume.

Muito bem, aí você terminou mais um livro e…. O que vai fazer com ele? Deixá-lo, para sempre, envelhecendo na estante da sua sala? Vamos sugerir alguns finais mais felizes para seus livros lidos:

1. tenha uma bela estante com espaço limitado. Sempre que houver um livro novo para entrar, outro terá que sair.

2. empreste ou presenteie livros a seus amigos que combinam com aquela leitura.

3. sugira a leitura desse livro a pessoas que estão perto de você e que podem ser estimuladas a ler: seus colegas de trabalho, o porteiro do seu prédio, o cobrador do ônibus que você pega todos os dias… Crie leitores: ler se ensina, gostar de ler se incentiva.

4. perca seu livro. Depois de lido, deixe-o na mesa de um café, numa cadeira no salão de beleza, no banco do metrô, nas poltronas de um aeroporto. Você pode escrever uma mensagem nele, a pessoa que o encontrar vai se sensibilizar e, quem sabe, ler.

5. doe para lugares que você conhece que tenham uma biblioteca comunitária. Tem sempre muita gente precisando de livros. Divulgue sua intenção em alguma rede social – você vai ver que aparecerão muitos interessados.

6. doe para a Freguesia do Livro. A gente encaminha seu livro para muitos novos leitores. Fale com a gente: contato@freguesiadolivro.com.br

* Todas essas iniciativas requerem uma boa dose de desapego e generosidade. Livros doados não voltam nunca e os emprestados têm retorno incerto. Mas certamente deixarão de ser volumes silenciosos e empoeirados guardados em sua casa para todo o sempre.

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Explicação baseada no texto do Alessandro Martins do blog Livros e Afins. Você pode ver o post na íntegra aqui. É ótimo.

Começar uma biblioteca comunitária é simples: basta querer – e fazer.

Do que você precisa:

1. Uns 40 livros: livros bons, adequados ao público que terá acesso a eles. Pode parecer que sejam poucos no início, mas a ideia do desapego vem junto com a biblioteca: todos podem levar, mas também todos podem doar.

  • livros que você considera bons, livros que você ama, pelo conteúdo que eles carregam, como transportadores de prazer, conhecimento e diversão
  • pratique o desapego. Serão livros que não serão mais seus, mas de todos. Possivelmente, alguns deles você não verá mais. Troque o prazer de ter pelo prazer de compartilhar. Acredite, é muito bom ver um desconhecido folhear interessadamente um livro que você deixou à disposição. Principalmente se for um livro que você gosta
  • se você esperar para ter muitos livros para ter a iniciativa, vai acabar desistindo. Comece com pouco e conte com o “efeito bola de neve” e com o impacto que um gesto simples, mas efetivo, pode causar em sua comunidade

2. Um lugar. Quanto mais inusitado, melhor. Pode ser numa padaria, num salão de beleza, um açougue, a farmácia da esquina. O café que você frequenta, a sala de espera de uma clínica, a cantina de uma empresa. Você pode oferecer a possibilidade de uma biblioteca aos donos do lugar, é bem provável que aceitem. No lugar onde a biblioteca vai funcionar, verifique se já existe um armário ou estante que pode abrigar os livros. Se não houver, dê ideias: estantes de lojas de móveis usados, caixotes de feira, geladeiras que não funcionam. A parte de cima de um armário, uma gaveta reciclada. Vale tudo.

3. Um sistema. Simples, que favoreça a circulação dos livros, com pouca burocracia. A biblioteca é livre, o empréstimo é livre. Um texto na estante dos livros e dentro de cada um deles, dirá: “Esse livro quer ser lido, sempre. Quando você tiver acabado de ler, deixe que ele continue sua viagem”. Ou “Leve, leia e devolva quando terminar”. Um carimbo ou um adesivo resolvem isso. A iniciativa valoriza a leitura do livro, não a sua posse.

4. Use as mídias sociais para divulgar a sua biblioteca. O importante é divulgar o projeto, para estimular o desapego aos livros, facilitar a recepção de doações e colocar os livros à disposição da comunidade. Crie uma rede de iniciativas e bibliotecas comunitárias que acreditem nessa ideia, para que ela se espalhe.

5. Repetindo: deu vontade, faça. Não conte com leis de incentivo ou com ajuda do governo. Isso só vai atrasar e desmotivar você. Você pode agir por conta própria. Não conte com a ajuda dos outros para começar a fazer, mas conte com a ajuda dos outros no andamento do projeto.Lembre-se: ninguém precisa mudar o mundo. Apenas a parte do mundo que é capaz de mudar.

6. Se deu vontade mesmo e você quer começar uma biblioteca livre ou um ponto de leitura, ou se você já tem uma biblioteca e quer aumentar seu acervo cadastre-se aqui. Muitos livros estão chegando e queremos lugares para colocá-los. Divulgue essa ideia. Espalhe o bichinho do desapego por aí.

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Fazemos parte de uma iniciativa voluntária que funciona essencialmente a partir de livros doados por pessoas que já os leram e querem que eles continuem a ser lidos por mais gente. Assim sendo, é importante que os livros que recebemos estejam em boas condições,e tragam um conteúdo que possa interessar a outras pessoas. Que incentivem a leitura. Não temos estrutura para receber livros que não atendam a estes critérios

Estamos em Curitiba. Temos alguns pontos de coleta em diferentes bairros da cidade. Portanto, se você quer doar livros em bom estado, entre em contato através do contato@freguesiadolivro.com.br.

Que livros recebemos? Aqueles que você acredita que possam ser úteis e interessantes para outras pessoas. E que estejam em condições de serem lidos por crianças, jovens, adultos e idosos. Lembrando que tanto nós, que organizamos as doações, quanto as crianças, jovens e adultos que as receberão em suas pequenas bibliotecas, merecemos artigos em bom estado. Os livros que recebemos são higienizados, classificados e encaminhados para nossos Pontos de Leitura respeitando o público-alvo.

Critérios da Freguesia do Livro para doação/recepção de livros

Enfatizamos sempre a preferência por livros que incentivem a leitura. Analise seu acervo e escolha os livros que imagina que serão bem aproveitados por outras pessoas. Assim sendo, pedimos a quem nos doa, que observe os critérios abaixo.

Livros que aceitamos:

– livros de literatura em bom estado: romance, suspense, policial, biografia, etc.

– livros de poesias

– livros infantis

– livros infanto-juvenis

– livros de literatura em outros idiomas

– revistas de decoração, educação, jardinagem, culinária, viagem, automóveis, artesanato, ciência, história e filosofia

– revistas em quadrinhos

– livros de autoajuda

– livros técnicos atuais, que ainda possam ser úteis a estudantes

Livros que não aceitamos:

– livros em mal estado de conservação, muito antigos, rasurados, mofados.

– enciclopédias

– coleções

– revistas periódicas semanais

– apostilas

– livros didáticos

– religiosos

– livros técnicos antigos e/ou desatualizados

Enfatizamos sempre a preferência por livros que incentivem a leitura.

 PONTOS DE COLETA

Se você quer doar livros e está em Curitiba: nossos Pontos de Coleta estão nos bairros Centro Cívico, Cabral, São Lourenço e Bigorrilho, onde os livros podem ser entregues acondicionados em caixas de papelão. Se você quer doar livros para a Freguesia, entre em contato pelo e-mail ou telefone.

Ângela: 41 99915-3878

Josiane: 41 99921-6456

Maria Luiza: 41 99622-2117

contato@freguesiadolivro.com.br

Se você quer doar livros e não está em Curitiba: encontre na sua região uma iniciativa, uma biblioteca, uma escola, um local que possa aproveitar bem os seus livros. Não deixe passar em branco a sua vontade de compartilhar leitura.

Estamos trabalhando no sentido de disponibilizar aqui no site endereços que recebam papel para reciclagem. E sebos para os livros mais antigos ou que fujam dos critérios que estabelecemos para a Freguesia do Livro. Aceitamos ideias, caso conheçam iniciativas, sebos ou cooperativas.

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Blogs têm poder. A prova disso é vínculo que hoje temos com Juliette, uma brasileira que mora na Holanda e, apaixonada por livros, veio saltando do blog da Companhia das Letras, para o Livros e Afins e  acabou encontrando  a Biblioteca Comunitária Sítio Vanessa e a Freguesia do Livro.

A história é uma delícia: Juliette, que  acredita com toda a força da alma que o hábito da leitura pode transformar cabeças e vidas e que este hábito, quando adquirido na infância, faz toda a diferença na vida de uma pessoa, mora em uma pequena e linda cidade da Holanda chamada Zundert (cidade onde nasceu Vincent Van Gogh) e trabalha na Biblioteca Central de Breda, cidade com 170 mil habitantes e com 10 bibliotecas públicas. Livros novos chegam todas as semanas para serem inseridos no acervo das 10 bibliotecas e os antigos (em perfeito estado de conservação) são colocados à venda na própria biblioteca por um preço simbólico. “A primeira vez que vi um carrinho abarrotado de livros infantis que iam para venda, fiquei encantada e comentei que queria ter uma varinha de condão para traduzir todos para o português e mandar para o Brasil para bibliotecas comunitárias” escreveu ela.

Aí ela resolveu fazer mágica sem varinha de condão, mesmo. Conseguiu uns 100 livros, depois de contar aos encarregados o quanto crianças brasileiras seriam beneficiadas com essas lindas publicações. Selecionou os que não tinham texto e os que tinham pequenos trechos de escrita… traduziu, imprimiu e colou nos títulos e páginas: livros holandeses transformados em livros que crianças brasileiras poderão aproveitar!

Os livros chegaram e o Sítio Vanessa e a Freguesia do Livro estão todos contentes! Deixo aqui a ideia. Todos podemos fazer pequenas mágicas.

Obrigada, Juliette.

Post originalmente publicado em www.arteamiga.wordpress.com

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Queremos incentivar aqueles que, como nós, querem compartilhar os prazeres da literatura. Você pode contribuir:

  • doando livros
  • levando os livros doados a um local onde a Freguesia do Livro recebe livros.
  • divulgando a idéia de livros livres, incentivando mais pessoas a lerem e doarem livros.

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