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Arquivo da categoria ‘Onde ler’

Se você já pensou em montar a sua própria biblioteca livre, acessível às pessoas da sua comunidade, do seu bairro, do seu condomínio, no local onde você passa as férias, mas ainda não conseguiu imaginar a “cara” da sua biblioteca, esse post irá te ajudar. Com um pouco de criatividade, cabanas, gazebos, casinhas de madeira, celeiros, quiosques, vagões de trem, contêineres, edificações de madeira construídas com material reciclável e reutilizado, tornam-se potenciais bibliotecas de estilo rústico.

Uma biblioteca rústica, sem formalidades, com empréstimo livre pode ser montada em vários lugares, é só deixar a criatividade solta: pode ser no gramado de casa, no quintal, em um pátio ocioso, numa praça, em uma fazenda, em um sítio, numa chácara. Pode até ser implantada em uma pousada, em um pesque-pague, em um hotel-fazenda ou num resort como opção de lazer para os hóspedes. Essas casinhas de madeira têm aparência e potencial de biblioteca.

Essa casinha de madeira parece uma biblioteca perfeita!
community library Point O Woods
Que tal uma casinha de boneca que oferece algo a mais para as crianças?!
IMG_3665e
Ocupa pouco espaço no gramado, próximo aos varais de roupa
Garden Cabin Blue
O jardim parece o lugar ideal para uma biblioteca!
garden shed
Localizada estrategicamente no pátio
The cabin from Level 3, VUW Library
Contêiner de madeira, uma biblioteca maravilhosa!
 Com deckzinho frontal e tela mosquiteira!
Garden Cabin With Patio
Azul, com deck e espreguiçadeiras para relaxar, bem verão!
Douglas Shed - Log Shed
Pouco espaço utilizado no gramado
Chinon Garden Cabin
Com varanda, apenas aguardando os livros e os leitores!
Pequena e simples, ocupa pouco espaço, mas cabem muitos livros.
My Hut
Cosntruída com troncos, de aparência bem rústica, colorida, com cadeira de balanço e banco para leitura
Linda, charmosa, repleta de plantas para não destoar da paisagem

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Estes são os Pontos de Leitura da Freguesia do Livro, visite, relaxe e leia um pouco.

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Esse blog fala tanto em doação de livros que às vezes é bom a gente lembrar: somos simplesmente apaixonados por livros. E por isso nos empenhamos para que eles possam alcançar outras pessoas que gostariam de ter contato com eles e, por tantos motivos, não conseguem ou não podem. Dito isso, recordamos: leia muito e doe o que não vai ler mais!

A combinação cama e abajur é imbatível.

 
E como um abajur em geral precisa estar apoiado em um criado-mudo (ou criadomudo?), convidamos à leitura desse texto do Mario Prata.
O criado-mudo
Tudo começou quando resolvi me mudar do décimo para o quarto andar, aqui mesmo, neste edifício da Alameda Franca. Um carrinho de supermercado seria  o suficiente. Queria fazer lá embaixo um lar, já que isso aqui virou um  vício.E, como todo vício, tesão!Lá no quarto andar, tem quatro apartamentos.Eu não conhecia ainda os vizinhos quando o fato se deu. Passei o dia  levando coisas lá para baixo. Há dois dias faço isso, ajudado pela Cristina.Uma das últimas viagens e lá ia eu com a Cris ao lado, descendo pelo elevador. Carregávamos o criado-mudo. O criado-mudo tem uma gavetinha.Quando a porta se abriu, havia duas famílias esperando. Meus vizinhos.

Pai, mãe, crianças e até uma avó. Foi quando eu estendi o braço para me  apresentar como o novo vizinho que tudo aconteceu. E foi muito rápido.

Muito. Quando eu tirei a mão do movelzinho para cumprimentar aqueles que  agora são meus vizinhos, a gavetinha deslizou. Eu ainda tentei uma gingada  com o corpo pra ver se evitava a catástrofe, mas não adiantou. A filha da
puta estava indo para o chão, lisa como quiabo.

Estava indo para o chão com tudo dentro. E não existe nada mais indiscreto  que uma gavetinha de criado-mudo de um homem que mora sozinho. Ou mesmo  que não more. Ali você vai jogando coisinhas, papéis. Coisas, enfim.

Coisas que só têm um destino na vida: a gavetinha do criado-mudo.

Entre a danada escapar do móvel e esparramar tudo pelo chão, não devem ter sido nem dois segundos. Mas estes dois segundos foram sofridos. Neste pedacinho de tempo tentei, em vão, me lembrar do que era que tinha lá  dentro e, consequentemente, toda a vizinhança ia ver. Além da Cristina.

Não deu outra. A gaveta caiu de quina e tudo voou. E voou tudo de cabeça pra cima, tudo querendo se mostrar. Ar livre. Há quanto tempo aquilo tudo não via a luz do dia, já que ficavam debaixo do abajur lilás? E não ficou tudo amontoadinho, não. O material se esparramou legal pelo hall. Diante do que vi no primeiro bater de olhos, a idéia foi pular em cima e cobrir tudo com o corpo até todo mundo sumir dali.

Sim, na gavetinha do criado-mudo a gente joga tudo. Pelos meus cálculos, devia ter coisas ali dos últimos cinco anos. Que, é claro, eu não saberia dizer. Eu não tinha idéia do que é que estava indo para o chão e aos olhos da vizinhança estupefata.

Um pedaço da minha vida estava ali, no chão, sujeito à visitação pública.

Uma vergonha.

 E o pior é que não dava para pegar tudo de uma vez. Teve pilha que rolou escada abaixo. Moedinhas rodopiavam sem parar, fazendo aquele barulhinho.A primeira coisa que a Cristina recolheu foi um par de brincos douradérrimos. Que não eram dela. E eu não ia explicar ali que eu não tinha a menor idéia de quem fossem. Podiam estar ali há cinco, seis anos.As crianças olharam para três camisinhas e deram-se sorrisos cúmplices.Não foi bem este o olhar da Cris.Aquele pequeno despertador quebrou o vidro. Estava parado às 10 e 10 do dia 23, sabe-se lá de que mês ou ano. Três edições da Playboy. Velhas. Uma da Tiazinha. Constrangimento. Pra minha sorte, bem ao lado caiu a História da Filosofia, de I. Khlyabich. E o livro daquela jovem namorada do Sallinger, do Apanhador no Campo de Centeio. Amenizou um pouco. Trata-se de um masturbador de campo de pentelhos. E as camisinhas eram de 98, tava escrito lá. Limpou um pouco a barra. Um pouco. Sim, por outro lado, mostrava que desde 98 que eu… Deixa pra lá.Tinha o menu da minha aula de culinária de março. Naquele dia aprendi a fazer crepe de pancetta e brie, com a professora Bia Braga, junto com o Frei Betto, aluno também. Tinha procurado tanto o Guia de Acesso Rápido do celular. Tava lá. Agora eu ia aprender a apagar os telefones vencidos da caixa.
Meu Deus, o que é aquilo no pé do garoto? Viagra! E o filho da puta pegou e mostrou para o pai, que me olhou com pena, com dó: tão jovem…Tive que dar explicações: – Hehe, é o Jair, que é do 103, psicanalista, amostra grátis, aí. Tem dois…Já ia dar uma explicação da experiência que tinha tido com o que não estava mais ali, mas achei que os pais não iriam ouvir de bom grado, diante das crianças. Viagra é a maior sujeira, posso te garantir. Acho que não convenci ninguém. Cris, com os alheios brincos na mão, escondeu o Viagra. Vexame total. Mas isso era só o começo da minha vida esparramada no chão de mármore.- A conta da compra do computador que eu dei para a minha irmã.- Duas pilhas Duracell que jamais saberemos se estão boas ou já usadas.Esse problema de pilhas soltas me enlouquece.- Sabe aquelas moedinhas de orelhão que não funcionam mais? Várias.

- Uma foto minha com a atriz Manoella Teixeira, abraçados na porta do Ritz

(isso foi há dois anos, fui logo explicando).

- Uma cartela de Lexotan, uma de Frontal e uma de Zoloft. Pronto, os vizinhos não teriam mais dúvidas. Um louco deprimido se aproximava.

- Quatro canetas Bic que eu duvido que ainda funcionem.

- Uma capinha de celular que eu comprei há uns quatro anos e não serviu.

- Uma caneta dessas de marcar texto, aquela amarela, sabe? Seca, é claro.

- Um tubo de Redoxon, vencido há várias gripes.

- Um lápis sem ponta; aliás, dois.

- Um papelzinho com um telefone que jamais saberemos de quem é.

- Outro papelzinho com um telefone (procurei tanto… Agora não vai mais adiantar).

- Um benjamim.

- Um tubo (suspeitíssimo) de Hipoglós.

- Mais uma cartelinha (quase vazia) de Frontal.

- Um disquete de computador sem nada escrito nele. O que pode ter aqui?

- Um par de óculos escuros que nunca foram meus.

- Umas cinco ou seis chaves que nunca saberei que portas abrir.

- Dois tubos de KY, que quem sabe o que é pode imaginar o meu ar de sem jeito. E o cara do 43 levava jeito de saber, pela olhadinha que deu para a esposa, que ficou vermelhinha. Ela devia gostar de KY.

- Um livrinho mandado (e escrito) por um leitor, com o nome Ser Gay é Ser Alegre. Como explicar isso, de joelhos?

- E, para encerrar o meu derrame, um papel em branco com um beijo de batom vermelho, bem no meio. Tentei dizer que era da minha afilhada, Maria Shirts, mas não colou.

Fui recolhendo aquilo tudo, aqueles pedaços da minha vida e colocando de novo dentro da gavetinha. E me levantei.

Entramos em silêncio no apartamento, eu certo de que ia começar uma nova vida ali. Mas logo cheguei à conclusão de que a gente nunca começa nada, a gente continua.

Ajeitei o criado-mudo ao lado da cama. Fiquei olhando para o indiscreto móvel que eu achava mudo.

Mas que, em dez segundos, contara cinco anos da minha vida.

Mário Prata

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